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Aconchegantes e agradáveis

Projetos arquitetônicos cearenses devem considerar fatores climáticos do Estado, como o sol intenso e os ventos

04:30 · 27.07.2018 / atualizado às 12:49
Marquise
Projetos como estes, da Lins Arquitetos Associados, buscam adaptar as edificações à realidade climática do Ceará. ( Fotos: Lins Arquitetos Associados )

Caracterizado pelo sol forte o ano inteiro, o Ceará deveria ter mais edificações que prezem pelo conforto térmico dos usuários, defendem os arquitetos George Lins, sócio do escritório Lins Arquitetos Associados, e Renan Cid Varela Leite, professor adjunto da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Adaptar as edificações à realidade climática de cada região garante o bem-estar das pessoas e a possibilidade de economizar energia nas edificações e nas cidades, o que é fundamental para a sustentabilidade”, afirma o professor Renan Leite, estudioso da arquitetura bioclimática.

Este ramo da arquitetura busca utilizar os elementos do clima interessantes, afastando os que não são tão interessantes, descreve o professor. Por isso, no litoral cearense, as soluções abrangem proteger as edificações do sol, aproveitar a ventilação natural e diluir a umidade do ar.

Segundo Renan Leite, o ar úmido parado é ruim para o conforto térmico, porque diminui a possibilidade de o suor evaporar, aumentando a sensação de calor. Nas edificações, a umidade elevada do ar pode causar mofo e bolor.

Soluções

Assim como Renan Leite, George Lins levanta a bandeira da arquitetura bioclimática. Ele acredita que os arquitetos do Ceará não deveriam seguir tendências de países do hemisfério Norte, como fachadas envidraçadas, pois naqueles locais raramente há incidência direta do sol.

Nas terras alencarinas, próximas da Linha do Equador, os raios solares incidem sobre as fachadas quase todos os dias. Por isso, é preciso protegê-las. Em Fortaleza, nas fachadas Leste e Oeste, temos sol o ano inteiro. Já nas fachadas Norte e Sul, são seis meses no sol e seis meses de sombra.

Para proteger as edificações, George Lins sugere elementos como o brise soleil (quebra-sol, de origem francesa), o cobogó (peça de concreto ou cerâmica empilhada para se formar um padrão), o muxarabi (trançado de madeira, de origem árabe), a chapa metálica perfurada ou qualquer elemento vazado que filtre a luz solar.

Esses elementos devem ser utilizados fora da edificação, alerta George Lins. Em seguida, cria-se uma câmara de ar – um jardim, uma circulação ou um espaço vazio –, para que a primeira pele não cole na segunda, garantindo a eficiência necessária à edificação. Por fim, vem a vedação da área construída. Com esse esquema, a eficiência dos aparelhos de ar-condicionado melhora, diminuindo o gasto de energia. “Mais importante do que proteger a edificação do sol é voltá-la para a ventilação dominante”, opina George Lins. O pé-direito alto e a ventilação cruzada são determinantes para que o ar circule no ambiente. “Não adianta ter um janelão sem escoamento de vento”, frisa.

Renan Leite enfatiza que é importante garantir uma arquitetura pensada em termos de ventilação natural. “Vidro em excesso e pouco protegido, com janelas pequenas, não garante conforto térmico em nosso clima”, argumenta.

Jardins internos

Interior

No interior do Estado, a arquitetura bioclimática considera o clima quente e seco e a ausência da brisa marítima. “O que vale a pena é uma grande massa térmica ou inércia térmica, isto é, paredes grossas para retardar a passagem do fluxo do calor, e pequenas janelas para diminuir a entrada do calor”, relata. Uma parede de tijolo deitado, de taipa ou de adobe são opções citadas pelo professor.

George Lins observa que não se deve abrir uma janela para um descampado, mas para uma vegetação, de preferência com espécies nativas, como o cajueiro, o juazeiro e o ipê. “Essas plantas funcionam como filtro solar”, acrescenta o arquiteto.
 

Cobogó

VOCÊ SABIA?

O cobogó é nordestino

Bastante utilizado pela arquitetura moderna brasileira como solução para filtrar a luz solar sem barrar a passagem do ar, o cobogó nasceu em Pernambuco, na década de 1920. O nome vem das iniciais dos seus criadores, os engenheiros Amadeu Oliveira Coimbra, português, Ernest August Boeckmann, alemão, e Antônio de Góis, brasileiro.

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