EMPREENDEDORISMO

Tire o sonho da gaveta e abra sua própria empresa

Práticas inovadoras podem determinar o sucesso de quem deseja abrir seu próprio negócio em 2017

00:00 · 18.03.2017
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Escritório de Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade da Unifor oferece consultoria na área. Alunos e empresas podem dispor do serviço ( Foto: Ares Soares/Unifor )
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Permeado pela crise econômica, o cenário brasileiro para a criação de novas empresas apresentou significativa desaceleração no final de 2016. Segundo dados divulgados pela Serasa Experian, em novembro do ano passado foram abertos 152.943 empreendimentos, 4,4% a menos que no mês de outubro. Apesar da queda, os números são superiores a registros do mesmo período de 2015, e os maiores desde 2010.

A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê, para este ano, expansão econômica nacional em 0,6%, de acordo com o relatório "Situação Econômica e Perspectivas 2017", sua principal publicação em tendências de economia global. A expectativa é que o Brasil tenha 2,7% de participação nos resultados mundiais, ocupando a quinta posição mais tímida na lista dos 43 países emergentes, ficando à frente apenas de Síria (-5%), Venezuela (-3,7%), Colômbia (0,5%) e Trinidad e Tobago (0,5%).

É nesse contexto de cautela que a população procura alternativas para investir no sonho de abrir o próprio negócio e também ressignificar a maneira para obtenção de renda. De acordo com pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2017) para a América Latina, o Brasil é o segundo país em que a sociedade enxerga no empreendedorismo um caminho a ser trilhado como carreira.

Novas relações comerciais

"Nos últimos anos estamos presenciando uma revolução drástica no comportamento do consumidor: há uma mudança do mundo físico para o mundo virtual em termos de relações comerciais. Vemos uma parcela significativa de jovens que não queriam empreender optando por isso. Mesmo aqueles que estão cursando nível superior veem essa imersão como uma alternativa muito positiva", afirma Wilson Linz, professor do curso de Administração da Universidade de Fortaleza e consultor empresarial.

Planejar é importante

O planejamento e a priorização da oportunidade, mais que a necessidade, são fatores relevantes durante a abertura de uma empresa. Procurar consultoria realizada por profissionais especializados ainda na etapa inicial, quando a ideia é transformada em plano de negócio, e também nas etapas subsequentes ao gerenciamento do projeto, são meios que colaboram para um retorno positivo.

"Empresários que obtiveram sucesso no seu empreendimento planejaram por mais tempo, e com mais qualidade, cerca de 11 meses. Na gestão, é importante investir na mão de obra, atualização tecnológica e aperfeiçoamento de produtos com frequência. A excelência na formação dos colaboradores e gestores, inovação e diversificação em negociar com fornecedores revelam uma postura proativa que se antecipa às dificuldades inerentes ao mercado", afirma Ricardo Eleutério Rocha, vice-presidente do Corecon-CE (Conselho Regional de Economia do Estado do Ceará) e analista econômico.

Para que um empreendimento possa exercer sua atividade, seja ele loja física ou virtual, é também necessário ter registro na Prefeitura ou na administração da cidade onde ele irá funcionar, no Estado, na Receita Federal e Previdência Social.

Instituições como Sebrae e Senac auxiliam micro e pequenos empresários na ampliação e desenvolvimento de habilidades para melhor administração através de cursos de capacitação e esclarecimento de dúvidas sobre finanças.

Segundo Rogério Nicolau de Barros, coordenador do EGES (Escritório de Gestão Empreendedorismo e Sustentabilidade), iniciativa da Universidade de Fortaleza que oferece serviço de assessoria e orientação nos planos de desenvolvimento para a comunidade acadêmica que planeje empreender, "os ramos de alimentação, prestação de serviço, produtos ou serviços para a terceira idade são algumas das áreas que estão em ascensão, mesmo assim é necessário não ficar refém do sucesso sem inovar ou mesmo deixar de promover a fidelização do seu público-alvo", enfatiza.

O investimento na comunicação como canal de aproximação entre estabelecimentos comerciais e seu público é uma prática inovadora que ganha cada vez mais solidez por proporcionar, através das mídias sociais, a compreensão das necessidades e satisfação dos clientes, além de indicar oportunidades.

"As redes sociais ajudam muito. Hoje temos diversas ferramentas gratuitas que podem gerar informações fundamentais para analisarmos o comportamento do mercado. O próprio Facebook e Instagram se moldaram para atender o empreendedor. Podemos analisar desde horários de picos, ao que nosso público mais gosta de ver, assim como impulsionar publicações para quem queremos atrair", declara Ana Lima Rema, proprietária do restaurante Casa da Ana Massas.

O mercado cearense

No Ceará, o setor de serviços é responsável por 73% da riqueza gerada para todo o Estado, a indústria responde por 23% e agropecuária contribui com 4%, o que torna o primeiro mais expressivo e dinâmico, colaborando para que novos empresários arrisquem nele com mais interesse, mas também reconheçam as dificuldades que podem surgir devido à concorrência.

"A floricultura, por exemplo, é muito forte no nosso Estado, mas houve uma evasão em função da estiagem, então nos últimos anos as pessoas procuram um ramo que tenha demanda contínua para que aquele negócio perdure. O que surgiu foi uma série de alternativas que até então eram desconhecidas e brechas no mercado que não podem ser supridas por empresas clássicas", ressalta o professor Wilson Linz.

Novas tendências como o crowdfunding (financiamento coletivo) e startups (pequenas empresas de base tecnológica) se apresentam como opções para obtenção de recursos e criação de produtos diferenciados. O seu baixo custo de manutenção e a possibilidade de rápido crescimento têm tornado mais atrativa e acessível a entrada no mundo dos negócios para aqueles que desejam autonomia.

"As barreiras existentes à obtenção de crédito nos bancos e instituições financeiras tradicionais na atualidade acabaram por criar um nicho de mercado que ganha cada vez mais força e possibilita que muitos projetos sejam fomentados, especialmente aqueles associados à criatividade e inovação. Hoje oferecemos, além do financiamento coletivo, o serviço de Crowdsourcing que tem como intuito conectar projetos de alunos dentro da universidade, fomentando a interação entre áreas distintas" destaca o empresário Demétrius Lins de Sousa, fundador e diretor de tecnologia da plataforma de financiamento coletivo Go Partners.

O branding, nuance que ilustra e reforça a identidade visual de uma marca, é um importante fator de destaque para uma boa governança e, consequentemente, geração de lucros, pois cada vez mais, ações que posicionam e divulgam valores ligados à responsabilidade social são fundamentais para as organizações. A rápida tomada de decisões também se faz primordial na contemporaneidade. Ideias alinhadas entre os colaboradores refletem eficiência.

"Os desafios são diários. É fundamental que estejamos atentos às novidades e treinamentos que surgem de forma muito acelerada por existir um mercado aquecido em nosso Estado. Planejar algo lhe garantirá uma direção e levará ao resultado esperado, além de organização e maior qualidade, precisamos estar abertos e sermos flexíveis a essas mudanças", finaliza Demétrius.

Onde procurar orientação

Escritório de Gestão Empreendedorismo e Sustentabilidade da Unifor

Local: Campus da Universidade de Fortaleza (Bloco R - Sala R-11)

Av. Washington Soares, 1321

Funcionamento de segunda a sexta-feira, de 8h às 18h

Telefone: (85) 3477-3298

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