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Dicas: Estudo e pirataria

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00:00 · 15.04.2017

Somos um país de saqueadores. Essa afirmação pode parecer descabida, mas não é e pretendo explicar o porquê neste artigo.

Este ano, tivemos notícias de saques no Espírito Santo e a cada dia sabemos de grandes saques institucionais. No entanto, os saques não estão restritos aos poderosos ou aos marginais, trata-se de um problema endêmico da nossa sociedade. Todos os dias uma parcela considerável da população pratica pequenos crimes: atestados falsos, falsos seguros-desemprego, carteiras de estudante falsas, notas frias ou a não emissão de notas. Praticamos uma série de pequenas fraudes que, se somadas, representariam um montante considerável. O brasileiro médio costuma saquear até lugar em fila, tudo para levar vantagem.

Os professores estão entre as vítimas mais regulares desses saqueadores. Seja por parte dos governantes, quando o assunto é a remuneração e condições de trabalho, como por parte dos pais que permitem (e até aplaudem) o desrespeito que seus filhos praticam em sala de aula e dos próprios alunos que parecem desconhecer o que é certo e o que é errado. Mas o professor não é saqueado apenas pessoalmente, ele é saqueado intelectualmente. É fácil saquear o trabalho de um professor, basta acessar a internet e ver o quanto é simples usufruir do trabalho dos mestres com facilidade e com a proteção da clandestinidade.

O professor sacrifica seu tempo, saúde, dinheiro, lazer e tempo com a família escrevendo ou gravando aulas, a fim de que seu conteúdo chegue até seus alunos. Só para ver seu material pirateado e reproduzido à exaustão. Alguns chegam a cobrar valores muito mais baixos para retransmitir o conteúdo obtido de maneira ilícita.

Repita-se: quem prepara, repassa ou recebe, gratuitamente ou não, material pirata está participando do crime. Não haver intuito de lucro não autoriza ninguém a copiar ou repassar material onde existe direito autoral. Um livro ou curso não merece menos proteção legal do que um saco de feijão, uma televisão ou um automóvel.

Mas o que mais impressiona é a naturalidade com que é tratada a pirataria, especialmente entre pessoas que estão se preparando para servir o público.

Há formas de estudar sem furtar os profissionais e sem pirataria. O problema é que dá trabalho. É mais fácil piratear. Este desabafo, em forma de artigo, de alguém que trabalha com livros e cursos, e está cansado de ser vítima de pirataria serve como alerta para quem participa de alguma forma da pirataria, seja de livros e cursos, ativa ou passivamente. Não seja desonesto. Se você quer acabar com a corrupção no país, comece saneando o seu metro quadrado. Como diria Gandhi: "seja a mudança que quer ver no mundo".

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 40 obras

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