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Vidas marinhas ameaçadas na zona costeira do Ceará

A tartaruga-verde é uma das espécies ameaçadas de extinção que sofrem com lixo marinho e abate irregular no Ceará (Foto: Ruver Bandeira)
00:00 · 26.05.2018 / atualizado às 01:45 por Melquíades Júnior - Repórter

É possível uma terra viva sem continente, mas pouco provável sem oceano. A biodiversidade existente nas águas salgadas, muito maior que em todas as florestas, é uma riqueza e um risco para ela própria, porque é boa e ruim a relação com a exploração humana. No cartão-postal de Fortaleza, ou do Rio de Janeiro, o recorte é uma beira-mar gigante coroada pelas ondas espumadas, o que não é diferente em mais de 7 mil km de costa brasileira. Como se estivessem debaixo do tapete, os azuis ou verdes mares escondem a vida aquática muitas vezes só visível quando se afoga em terra.

O mar é imenso, mas nem tudo é a abundância que já foi no lugar onde a descoberta é a porta para preservação ou extinção. Sejam mamíferos, répteis, moluscos, crustáceos, aves marinhas ou simplesmente peixes, as mais de 500 mil espécies de animais marinhos, os bichos do mar, cada uma tem sua batalha no ciclo da vida. A tartaruga, que já poderia se considerar excepcional vitoriosa ao nascer, chegar ao mar e crescer (uma em cada mil), topa com uma sacola plástica no meio do caminho. Outra, mais outra, até que o corpo cascudo e resistente coma o lixo pensando ser água-viva, folhas e algas. Algumas importantes espécies de animais marinhos vindos de variados recantos do mundo estão ainda mais ameaçadas de extinção quando chegam aos mares brasileiros.


No Ceará, tartaruga-verde, peixe-boi e boto- cinza são mamíferos marinhos alvos do abate proibido por lei. Tem até delivery para a máfia da carne de tartaruga. Mas também bichos cuja pesca é permitida estão ameaçados pela predação, como é o caso da lagosta. A falta de consenso entre renda e conservação afeta diretamente a vida de milhões de famílias que vivem diretamente do mar. E da fauna marinha que não depende do homem.

O problema vai se arrastando pelas águas quentes do Nordeste, ricas em matéria orgânica feito banquete para alimentação da fauna. Se os bichos cruzam os oceanos, o lixo faz o mesmo. O plástico é como um câncer para esses animais. Somos, assim, a célula cancerígena. Quem tenta não ser esse mal compõe-se em organizações não governamentais ou entidades públicas de conservação, geralmente com poucos recursos financeiros.

Conhecemos mais das cavidades da lua do que as montanhas e 'rios' que correm no fundo do mar. Este DOC, dividido em duas edições, visita os trabalhos de algumas entidades cearenses de leste a oeste da zona costeira. Se não têm como fiscalizar, pescam nos resgates à beira-mar ou na educação de crianças jeitos de uma consciência ambiental para as próximas gerações irem mais fundo que as anteriores. Estão em Acaraú, Itarema, Aracati, Icapuí, Caucaia e Fortaleza. Dentro e fora do mar.

A série

Aves migratórias,  lixo marinho, educação ambiental e falta de investimento às instituições  são temas da 2ª  edição do DOC “Bichos do Mar - Conscientizar é preciso”. A segunda parte da série será publicada na versão impressa e web do Diário do Nordeste dos dias 2 e 3 de junho de 2018. 

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