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Vaqueiro: tradição e modernidade no Interior do CE

00:00 · 19.05.2018 por Antonio Rodrigues - Textos e Fotos

Criado a partir da palavra em latim empregada ao gado, vacum, "vaqueiro", em geral, é o termo empregado para identificar os indivíduos que trabalham no manejo do gado. No Brasil, o surgimento dessa profissão se dá a partir da instalação das fazendas no Interior do Nordeste, no século XVII. No sertão, a figura do vaqueiro adquiriu uma importância social, do homem viril e valente, que executa suas tarefas em grandes extensões de terra, sem ter nenhuma morada fixa.

Na Vila Real do Crato, as primeiras fazendas se instalam na beira dos rios Granjeiro e Batateira, no fim do século XVII, época em que o vilarejo avança. Agora, o vale do Cariri, de índios e lendas, de escravos e senhores, ganha um novo personagem com coragem e valentia: o vaqueiro. Além da identidade cultural criada em volta da figura, ele se torna um importante mecanismo para economia e integração entre Ceará e Pernambuco, durante as trocas de gado. Também é este "trabalhador livre" que inspira os cangaceiros no sertão.

Ao longo dos anos, por herança, o vaqueiro se mantém, mas o trabalho vai mudando. Se antes costurava seu chapéu e gibão com couro de bode, no início do século XX estes acessórios são vendidos "Casas de Couro". O aboio que acompanhava o gado tangido, dá lugar ao ronco da moto, que hoje cumpre o papel do cavalo. Se por um lado, as vaquejadas inspiram pelo dinheiro e fama, nas periferias, muitos garotos tentam, mas não alcançam o sonho de correr profissionalmente.

"É uma profissão sofrida", muitos afirmam, mas que se mantém há quatro séculos, sempre se renovando pelo sangue. Todas estas gerações e todos os tipos de vaqueiros, do esportista ao afamado, do trabalhador ao aspirante, se encontram anualmente na Festa da Santa Cruz Baixa Rasa, em Crato, na Chapada do Araripe, para celebrar a profissão. É neste momento que a vaidade ou a nostalgia dão lugar a uma só paixão: a de viver montado no cavalo.

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