Reportagem Vovô, Leão e Ferrão

Uma relação delicada entre a arena e os clubes da Capital

00:00 · 24.02.2018

A Luarenas começou a administrar a Anena Castelão no fim do primeiro semestre de 2014. A referida empresa, que também administra o Estádio Independência, em Minas Gerais, defende que o modelo arena pode trazer bons frutos para o futebol alencarino, desde que se tenha uma visão a longo prazo, segundo o seu vice-presidente, Flávio Portela. "Temos que pensar a longo prazo e numa próxima etapa, pois os clubes cresceram juntos com a arena. Temos uma boa expectativa, já que o Ceará está na Série A e o Fortaleza na Série B. As conversas com o Ferroviário também foram iniciadas. Com os clubes mais estruturados, com certeza teremos um cenário ainda melhor, com mais anunciantes e visibilidade para o futebol cearense", avaliou.

Clubes

Ceará, Fortaleza e Ferroviário são os principais clubes do Estado e nem sempre tiveram uma relação próxima com o Castelão em seus jogos, o que hoje apresenta quadros diferenciados entre eles.

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No caso do Fortaleza, o presidente do clube, Marcelo Paz, fala de um 'bom relacionamento' atual com a Arena Castelão, embora se refira a um período específico: "Eu posso falar pelos anos que convivi, como diretor de futebol e agora como presidente. Entendo que a relação é boa. A gente consegue ter um bom diálogo. Conseguimos dimensionar os jogos conforme a necessidade. Às vezes precisamos abrir o estádio em cima e embaixo; às vezes só embaixo, em outros momentos, em um setor específico. Estamos conseguindo negociar com eles um espaço para a venda de produtos". No entanto, no ano passado mesmo, o Tricolor do Pici se viu envolvido em polêmica com a Arena, que queria transferir jogo da final da Taça Fares Lopes, contra o Floresta, para o Estádio Presidente Vargas, por conta de uma festa marcada para lá.

No caso do Ceará, o clima também é de negociação para um contrato de exclusividade, mas no apanhado dos 5 anos, a relação nem sempre foi amistosa. Em 2014, a Arena rompeu contrato com o Alvinegro, que transferiu partidas para o PV. "Por enquanto o Ceará acerta jogo a jogo, mas estamos em negociação para um novo contrato", disse o vice-presidente da Luarenas. O primeiro compromisso do Alvinegro em casa, na Série A, será entre os dias 21 e 23 de abril, contra o São Paulo, de acordo com tabela divulgada pela CBF. Até lá, o clube espera fechar mais um contrato para utilização da Arena Castelão na competição nacional. "Concordo que os jogos de grande porte da Série A devem ser na Arena, pela questão da comodidade e da segurança, mas alguns pontos devem ser melhor acertados para aliviar os custos do torcedor, como o preço da alimentação, por exemplo. Mas estamos caminhando para um acerto", destacou o vice-presidente do Ceará Sporting, Raimundo Pinheiro.

Ferrão na bronca

Já para o diretor de comunicação do Ferroviário, Jeff Peixoto, a Arena Castelão é uma das melhores praças para grandes jogos de futebol no Brasil. Mas durante os cinco anos, por se tratar de um aparelho público gerido por uma empresa privada, segundo ele, enumera uma série de decepções por conta de algumas medidas adotadas pela administração da Arena. O dirigente destaca: "a obscura ruptura unilateral de um contrato que haviam firmado com o Ferroviário para que jogássemos lá por cinco anos. A Arena é maravilhosa! Mas não é feita para todos os clubes. Mesmo o espaço sendo público, temos os dois vestiários adesivados por dois clubes como se o estádio pertencesse a eles. O Ferroviário também viveu grandes momentos de sua história nesse estádio e pretende voltar a vivê-los. Esperamos apenas que uma póstera parceria se dê de forma mais justa e respeitosa".

Opinião - Gualber Calado - Especialista em Marketing Esportivo

Acredito que poderíamos ter tido uma evolução nos termos iniciais do contrato principalmente em relação à disposição da Arena para outros eventos esportivos, para um melhor aproveitamento do equipamento por parte do turismo, da rede gastronômica e até mesmo como equipamento de utilidade pública para o desenvolvimento sócio educativo como por exemplo implantação de escolas em tempo integral durante a semana (horário ocioso em que a Arena fica literalmente fechada).

Vamos ficar na vontade e com a esperança de ver um dia gestores dispostos a dinamizar este equipamento que foi caro aos cofres públicos e faz parte do patrimônio esportivo cearense. Há cinco anos gostaria de ter visto a Arena mais funcional, com seus espaços ociosos na maior parte do tempo sendo utilizados para serviços na comunidade como posto do Detran, no apoio ao desenvolvimento de jovens atletas. No seu estacionamento, raias para a pratica de esportes olímpicos como por exemplo o atletismo, e daí teríamos outros esportes integrados ao equipamento. Onde estão as lojas? Onde está o restaurante temático? Onde está a vergonha de não colocar o equipamento economicamente viável e agregado à comunidade.

Sinto muito! Na hora de planejar compararam com grandes arenas europeias, na hora de administrar e disponibilizar o equipamento para o uso dos cearenses não podemos sequer pensar em comparação, o nosso está bem aquém em termos de gestão. Será a síndrome do cachorro vira-latas falada por Nelson Rodrigues?

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