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Templos da resistência

00:00 · 19.08.2017 por Antonio Laudenir - Repórter/ Foto: Fabiane de Paula

Existe um desconforto crônico dos brasileiros quando o assunto atravessa a prática da leitura. Diluída em números, a dedicação aos livros passa longe para ufanistas acostumados com o alardeado "orgulho nacional". Somos, além de uma nação violenta, a terra cujo povo pouco lê.

Buscando uma das definições básicas, "leitor" é a pessoa que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Dados da 4ª "Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil", realizada pelo Instituto Pró-Livro, mostram que 73% dos brasileiros não frequentam bibliotecas. Para cada 33 mil habitantes existe apenas uma unidade pública com esse fim. Na vizinha Argentina, há uma para cada 17 mil pessoas e na França, uma para 2,5 mil.

Os índices relativos ao ato da leitura acompanham este triste cenário. Enquanto o norte-americano consome, em média, 11 livros por ano, e o francês, 7, o brasileiro lê apenas 1,3. Esse valor ganha algum fôlego quando são incluídas obras didáticas e pedagógicas - aí o número sobe para 4,7.

Vale delimitar como cada grupo social possui manifestações e raízes culturais distintas. Em comum, as diferentes sociedades humanas, desde os primórdios da história, guardaram a necessidade de preservar, com o auxílio da memória, os vestígios de suas ações sobre o meio ambiente, de suas formas de sobrevivência e de convivência entre os seus.

O desdém com a leitura e, consequentemente, com o espaço destinado aos livros, pode ter consequências sérias. Entretanto, é válido costurar relatos de oposição a este cenário. Mesmo com aspectos negativos dos índices da área, os apaixonados pela leitura buscam equilibrar essa disputa. Cada página absorvida com intensidade, cada biblioteca de pé, mesmo precária, constitui um elo de resistência.

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