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Semente do Ceará conquista exterior

O diretor-executivo da Cohibra, Laerte Gurgel, diz que a produtividade do coqueiro anão da empresa chega a 300 frutos por ano
00:00 · 29.07.2017

Há 30 anos investindo no melhoramento genético de coqueiros, a empresa cearense Cohibra, com propriedade em Amontada, ganha cada vez mais espaço no exterior. Somente neste ano, já foram 60 mil sementes enviadas para fora do País, e estão em negociação outras 500 mil, a serem remetidas até o próximo ano. Clientes ou potenciais compradores da Cohibra estão em países como México, Guatemala, Guiana Francesa e Colômbia.

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O coqueiro anão que cresce a partir de sementes ou mudas da Cohibra é seis vezes mais produtivo que a média dos coqueiros-gigantes plantados nos países orientais onde se encontram os maiores produtores de coco do planeta, como Filipinas, Índia, Indonésias, Sri Lanka e Malásia. Quem faz a comparação é o diretor-executivo da empresa, Laerte Gurgel. "Enquanto lá você tem 40 a 50 frutos por ano, o nosso coqueiro anão verde produz, em média 300, frutos", diz.

No Brasil, a empresa já vendeu nos últimos 20 anos mais de 2 milhões de mudas e sementes de coqueiros-anões e híbridos. Somente neste ano, já foram comercializadas 60 mil mudas.

Pioneirismo

A empresa foi pioneira na produção comercial de coqueiros híbridos, em 1992, com a junção de características dos tipos anão e gigante da Praia do Forte. "O coqueiro anão é altamente produtivo, mas é receptivo a doenças. O coqueiro gigante é resistente a pragas, mas tem baixa produção", explica Gurgel. A hibridização foi fruto da parceria entre Cohibra, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto de Pesquisas de Óleos e Oleaginosas da França, que é o atual Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa Agronômica. Gurgel vende a unidade da semente do coqueiro híbrido a R$ 15. A muda custa R$ 25. Já em relação ao coqueiro-anão, os preços são R$ 3 e R$ 6, respectivamente.

Dentre as últimas inovações da empresa, está a produção do coqueiro híbrido triplo. "Fizemos o cruzamento do anão verde do Brasil com anão vermelho de Camarões e aplicamos o pólen no próprio coqueiro gigante da Praia do Forte do Brasil", diz.

O projeto ainda está em fase de pesquisas. O objetivo é conseguir maior produtividade, melhor resistência a pragas e menores alturas de coqueiros.

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