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Seca verde

00:00 · 06.05.2017 / atualizado às 12:52 por Maristela Crispim - Editora

Há seis anos a história se repete. Desde 2012, o período chuvoso no Estado do Ceará tem ficado aquém da necessidade dos seus 8.963.663 habitantes, população estimada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A reserva atual dos 153 açudes gerenciados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 12,7%, se assemelha à do fim da quadra chuvosa de 2016 (11,9%). Por outro lado, os três maiores açudes, Castanhão, Orós e Arrojado Lisboa (Banabuiú), acumulam hoje, respectivamente, 6,05%; 10,69%; e 0,75% em relação às suas capacidades.

Este quadro tem levado os governos estadual e federal a investir em ações emergenciais, como a instalação de Adutoras de Montagem Rápida (AMR), escavação de poços profundos, montagem de dessalinizadores, operações de distribuição de água por meio de carros-pipa e contingenciamento no abastecimento. Destes anos seguidos de chuvas abaixo da média, 2017 encheu de esperança o povo cearense pelo verde que se espalhou pelo sertão, uma dezena de açudes sangrando e algum sucesso na agricultura de sequeiro (aquela que depende exclusivamente das chuvas para se manter).

Mas a intensidade de chuva teve uma grande variação por região. Até o momento, as mais beneficiadas foram o Litoral de Fortaleza, com 865.4mm, de uma média de 1083.8 para os quatro meses (fevereiro, março, abril, maio e junho); e o Litoral Norte, com 814.2mm de 973.9mm para o período. Estas são as regiões onde estão localizados os açudes que sangraram.

Diante deste quadro, sobretudo de queda na produtividade agrícola, muitos cearenses têm retomado o caminho da busca de trabalho temporário no sudeste do Brasil.

No momento, os olhares se voltam para a grande esperança de segurança hídrica para o Estado que é a transposição das águas do Rio São Francisco. Após o abandono do último trecho de obras (Eixo Norte), pela construtora Mendes Júnior, em junho do ano passado, o Ministério da Integração Nacional (MI) fez uma nova licitação, que segue parada devido a liminar interposta pela primeira colocada no certame, desclassificada por razões técnicas, segundo o Ministério. O governador Camilo Santana e os parlamentares cearenses estão mobilizados para que a obra seja retomada e a água chegue ao Ceará ainda neste ano.

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