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Resenha das antigas: água no chopp do craque

00:00 · 05.08.2017 por João Bandeira Neto - Editor assistente

Na década de 70, passou pelo futebol cearense um personagem icônico. O lateral direito Artur era apontado como um curinga, no time que tinha Gildo, Edmar e Mauro Calixto.

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Mas seu talento não era apenas nas quatro linhas. Fora delas, o ex-jogador ficou marcado pela fama de tomar umas cervejas sem que ninguém descobrisse. Quando jogava no Ceará, Artur deixou a concentração na madrugada que antecedia o jogo para beber junto do seu companheiro Pedro Basílio. Porém, a diretoria exigiu duas coisas antes de deixá-los ir: máximo de cinco cervejas para cada e se esconder caso vissem algum conhecido. A noitada teve êxito.

Com uma versatilidade enorme e uma entrega tática dentro de campo, o craque também mostrou que era bom de bola. Em 1971, ganhou seu primeiro título, de campeão cearense, pelo Ceará, que estava há sete anos sem conquistas.

Deu ruim

Mas foi em1984 que Artur viveu sua grande história de boleiro. Contrato pelo Treze de Campina Grande, a fama de homem que gostava de uma cerveja já havia chegado à Paraíba. No seu contrato existia uma cláusula que rescindia seu acordo quando ele tivesse comportamentos boêmios fora de campo.

"O diabo é que tinha um bar defronte à sede do Treze. Fiz amizade com o dono e pedi a ele que derramasse a água do coco e colocasse cerveja dentro. Era uma beleza. Todos os dias antes do treino estava lá tomando a "água" de canudinho. O trato era para ninguém saber de nada. Só que o clube acabou atrasando o meu salário por dois meses. O homem então resolveu cobrar a dívida dos dirigentes. Quando apresentou a conta, os diretores disseram que aquilo era um absurdo, uma exploração, cobrar tanto por cada coco. Aí ele acabou me entregando e contando toda a história. Meu contrato foi rescindido na hora e, assim, encerrei a minha carreira", contou Artur ao Diário do Nordeste, na série Arquivo de Chuteiras.

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