Reportagem Fortaleza e RMF

Reflexo imediato sobre o mercado de trabalho no CE

00:00 · 11.11.2017

De imediato, o início da operação da Fraport no Aeroporto Internacional Pinto Martins e o acordo para a instalação do centro de conexões de voos do grupo Air France-KLM devem impactar, a exemplo do que aconteceu em Lima e Campinas, no mercado de trabalho em Fortaleza e Região Metropolitana. A criação de empregos para funções relacionadas à aviação direta e indiretamente deve ser a principal transformação vivida pela economia nesta nova fase de desenvolvimento do setor da aviação no Ceará.

A formação de uma cadeia produtiva é apontada pelo engenheiro aeronáutico e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) na área de transporte aéreo e aeroportos, Jorge Leal de Medeiros, como indutora da criação de “vários tipos de níveis de emprego no Aeroporto de Fortaleza, direto, indireto, e induzido”. Ele considera que a chegada de empresas para o abastecimento das companhias aéreas e da própria concessionária – tanto para alimentação, como serviços e, a mais esperada, manutenção – deva induzir a empregabilidade no Estado a patamares elevados.

Os poucos 150 postos de trabalho abertos, segundo o anunciado em outubro deste ano por Andreea Pal, CEO da Fraport no Brasil, quando esteve pela primeira vez no Ceará, indicam apenas uma pequena parcela do que deve ser a mão de obra necessária para o funcionamento da empresa e do hub. No entanto, a operadora ainda aguarda a autorização pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para a contratar pessoal diretamente. O total de postos, inclusive, ainda não é preciso, uma vez que parte do pessoal da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) deve ser incorporada pela concessionária.

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Multiplicação

“Aviação é um motor para economias. O movimento de passageiros e carga aérea geram empregos, conectividade, negócios e riqueza. Toda a cadeia produtiva sai fortalecida. As companhias aéreas e aeroportos por terem mais passageiros, gerando assim mais empregos diretos e indiretos nos setores de serviços, mais clientes aos táxis, hotéis e restaurantes. Cada emprego direto que surge no setor gera outros quatro postos de trabalho indiretos”, afirma Luis Felipe de Oliveira, diretor executivo da Alta (Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe, em português).

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Típico para o desenvolvimento de grandes empreendimentos, um grande volume de vagas para o Aeroporto Pinto Martins deve ser criado pela construção civil, como lembra o diretor executivo da Alta, apontando a reforma como necessidade para atender a passageiros e companhias aéreas. As obras acertadas entre o Ministério dos Transportes e a Fraport no contrato de concessão e as demais acrescidas ao projeto pela empresa alemã já estão sendo preparadas. Construtoras especializadas em grandes estruturas já concorrem para liderar ou realizar parte da ampliação que transformará o Aeroporto de Fortaleza.

“Um exemplo muito interessante é o hub das Américas no Panamá, que faz com que o país hoje seja um dos mais conectados do mundo, com pessoas voando para mais de 80 destinos e conectando as Américas do Sul, Centro e Norte entre si, e também com a Europa e o Caribe. Esta conectividade atrai empresas que necessitam estar conectados com o maior número de cidades e países, gerando empregos e desenvolvimento”, cita Luis Felipe de Oliveira.

Vocação potencializada

Avaliação semelhante é feita por Respício do Espírito Santo Jr, professor de Transporte Aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ele, a partir principalmente da concessão à uma operadora privada, “o aeroporto passa a ser um mutiplicador socioeconômico da cidade, da região, do estado, e só acumula ganhos”. 

“Tem avanços diretos no curto prazo, e depois também indiretos, de multiplicação das atividades econômicas, pois o aeroporto se torna um catalizador, facilitador econômico. A geração de empregos é imediata, porque todos os aeroportos concessionados devem passar por uma modernização, principalmente, na questão de infraestrutura. Então, reforma e construção de terminais, reforma do pátio de aeronaves, recapeamento de pista, drenagem nova e vários itens na infraestrutura ‘hard’ propriamente dita do aeroporto deverão ser modernizados, e isso é um impacto direto na geração de empregos na cidade e na região”, enumera. 

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Mas além da infraestrutura aeroportuária, Respício e os demais especialistas do setor apontam para o fortalecimento e potencialização das atividades produtivas que fazem parte da vocação econômica de Fortaleza e do Ceará há décadas: os negócios relacionados aos serviços e ao turismo. Dotado de praias cuja beleza é reconhecida internacionalmente, o Estado é um destino turístico competitivo dentro do País e, com a chegada da Fraport e do grupo Air France-KLM e Gol, deve ter esse seguimento impulsionado em todo o globo. Consequentemente, como anseiam os proprietários de hoteis, pousadas e agências de turismo cearenses, a movimentação de clientes deve crescer sem precedentes em um curto prazo.

Para que tudo isso funcione, lógico, é preciso de pessoal. E esta necessidade, diferente de outros empreendimentos já instalados no Estado, pode ser atendida pela mão de obra local sem que treinamentos específicos sejam exigidos. Turismo e serviços entram na gama de atividades beneficiadas pelas vagas induzidas pela aviação e poderão dar conta sem a exigência de um treinamento específico.

Assim, estes devem ser os canais beneficiados com mais intensidade na segunda etapa, quando a administração da Fraport estiver consolidada no Aeroporto de Fortaleza e os voos do hub da Air France-KLM estiverem em plena operação.

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