Reportagem Novas experiências

Raimundo Neto e Racquel Chaves: cultura e estudos em família

00:00 · 02.09.2017 / atualizado às 15:39

Sair da zona de conforto, abrir mão do convívio da família, dos amigos, e sentir saudade, muita saudade. Esses são alguns dos desafios que a família do advogado Raimundo Neto administra desde que mudou-se para Lisboa, em 2015. Com a proposta de estudar, conviver com outras culturas e ter mais segurança, Raimundo, a esposa Racquel Chaves, mais os três filhos, deixaram Fortaleza para vivenciar novas experiências.

Na verdade, essa é a segunda vez que residem em Portugal. Na temporada anterior (2008/2009), Raimundo cursou mestrado em Direito na tradicional Universidade de Coimbra, cidade onde também moravam. À época, as crianças estavam com 6, 9 e 11 anos, mas logo se adaptaram à rotina do país. Em 2015, com os filhos mais crescidos, o advogado retorna com a família para cursar doutorado em Lisboa.

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A família Chaves na primeira temporada em Portugal nos anos de 2008/2009

O propósito principal é continuar investindo nos estudos. Tanto é que Racquel está cursando um mestrado na área de Psicologia, Geórgia, a filha mais velha, hoje com 20 anos, estuda Relações Internacionais, Giovanna, 18, concluiu o Ensino Médio e agora concorre a uma vaga para o curso de Física, e o caçula, Gustavo, 15, começará o Ensino Médio neste mês de setembro.

Pai, mãe e filhos vivem em perfeita harmonia com a cultura lusitana. Diferentemente de Coimbra, Lisboa é mais cosmopolita, na avaliação de Raimundo, o que facilitou ainda mais a adaptação de todos. Em termos profissionais, já percebe maior reconhecimento no Brasil, além do crescimento acadêmico. Em termos pessoais, destaca: "a convivência familiar é infinitamente maior, e com isso o vínculo e o companheirismo foram muito fortalecidos".

Além da dedicação ao doutorado, Raimundo é investigador (pesquisador) do Centro de Investigação em Teoria e História do Direito da Universidade de Lisboa. Atua ainda como diretor do Instituto Silvio Meira em Portugal, no qual atende, em especial, brasileiros com problemas jurídicos e acadêmicos. Para conciliar trabalho e estudo, viaja, em média, de quatro a cinco vezes por ano ao Brasil, onde é membro da Comissão de Ética e Relações Universitárias do Instituto dos Advogados Brasileiros.

Boa infraestrutura

Mesmo com essas visitas frequentes, Raimundo sente falta dos familiares, dos amigos, das festas populares (principalmente da música e da comida), e das praias com água quente. Em compensação, ressalta o valor da acolhida que tiveram pela maioria dos portugueses. Sem falar da qualidade na infraestrutura (saúde, segurança, transporte e educação), além da culinária, do clima, do patrimônio histórico e das belezas naturais.

O advogado reconhece que experiências ruins também são inevitáveis, mas a família prefere guardar na "pasta" do aprendizado. Segundo Racquel, há situações em que ocorre um certo estranhamento devido à maneira como alguns portugueses (poucos) se expressam. "Mas nós não classificamos mais como 'grosseria', é apenas a forma de se expressar que é diferente da nossa. A lógica é diferente".

Para reforçar a compreensão da família sobre o assunto, Raimundo lembra o trecho da música Sampa, de Caetano Veloso: "é que Narciso acha feio o que não é espelho". Segundo ele, quem sai do seu país com o propósito de conviver com outras culturas precisa estar aberto às diferenças. Com esse entendimento, a família está cada vez mais à vontade no país-irmão. Apesar da saudade, não tem data para voltar: "Sentimo-nos bem aqui. Por enquanto, vamos ficando".

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