Reportagem

Questão socioambiental determina sobrevivência

00:00 · 01.04.2017

"Quem não for sustentável, vai estar fora do jogo. É uma questão de sobrevivência. Não só de sobrevivência do planeta, mas também econômica". A afirmação contundente é da gerente de Comunicação e Moda da Santista, Sueli Pereira. Para ela, as empresas precisam focar mais em sustentabilidade para obter as certificações exigidas por muitos mercados internacionais e também para atender ao novo perfil do consumidor brasileiro, que está mostrando uma consciência ambiental e social muito maior. Hoje, antes de comprar um produto, muitos clientes levam em consideração aspectos como a origem da matéria-prima, a forma de fabricação, as relações trabalhistas e a reputação das empresas.

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"Antes, as pessoas achavam que ser sustentável era ser caro. Hoje, ser sustentável é viável, há retorno financeiro e, daqui a pouco, será obrigatório. Se você não se adequar, não vai participar do jogo. A mesma coisa ocorre com a mão de obra escrava que, há dez anos, era possível. Hoje não é. Não que não exista, mas é algo clandestino. Como você vai crescer sendo clandestino? Além disso, hoje, há mais transparência. Com as redes sociais, se a marca faz uma bobagem, amanhã todo mundo sabe. Não importa se é uma empresa pequena ou grande", afirma Sueli Pereira.

No Ceará, esse movimento também é uma realidade, garante a presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem em Geral do Ceará (Sinditêxtil), Kelly Whitehurst.

No Ceará

"A gente tem percebido um movimento muito grande de mais consciência do que está sendo consumido. O setor já percebeu esse movimento e tem trabalhado para atender esse novo perfil do consumidor. Isso nos deixa felizes, pois beneficia as empresas brasileiras. Os empresários locais sempre colocam essa questão de olhar a etiqueta para saber a origem do produto, para saber o que está sendo consumido", diz. No que diz respeito ao meio ambiente, ela conta que algumas empresas locais já têm adotado soluções para reduzir o consumo de água e a geração de resíduos, realizando, por exemplo, a pigmentação do algodão in natura. As roupas sustentáveis também estão na moda e muitas empresas já investem em tecidos e peças de vestuário com essa marca. A Santista, por exemplo, lançou a linha Upcycle, um denim feito com fibras recicladas, resultando zero resíduo de algodão. Já a Vicunha colocou no mercado a linha Eco Recycle, na qual aparas de tecidos, resíduos do processo de fiação e sobras de fios são desfibrados e transformados novamente em fibra, reiniciando o ciclo de fiação.

Tendência mundial

Grandes varejistas do mundo inteiro já estão utilizando tecidos e matérias-primas sustentáveis em suas peças. Em março deste ano, a Zara trouxe para o Brasil a coleção feminina Join Life, com peças feitas a partir de uma combinação de reciclados com matérias-primas mais naturais e desenvolvidas a partir de algodão orgânico, lã reciclada e Tencel, um tecido feito da celulose de madeira proveniente de florestas certificadas. Outra grande rede que também está voltada para a responsabilidade socioambiental é a C&A, que tem como uma de suas metas ter 100% de seus itens produzidos com algodão mais sustentável até 2020.

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