Reportagem Webdoc Natal

Presentes que têm o poder de transformar vidas

00:00 · 23.12.2017 / atualizado às 11:24 por Melquíades Júnior - Repórter

Se Natal é o melhor pretexto para o sentimento que mistura paz, solidariedade e afeto, assim convidando as pessoas para dentro de casa, por que não buscá-lo em outros períodos do ano?

Encontramos portas abertas e visitamos ceias em bairros da periferia de Fortaleza. No Grande Bom Jardim, o professor Gilson Franco se faz livreiro viajante. Com uma mala vermelha, leva histórias para casas de seus alunos e traz um resultado surpreendente. Encontrou no lar do casal Claudio e Aparecida, na Comunidade Leonel Brizola, o aconchego que faltava para as manhãs literárias de todo santo domingo.

Ali perto, Katiana Pena fez da casa um estúdio de dança. São os corpos que gritam e cantam, não a boca. O avesso do silêncio também é outro no Projeto Acordes Mágicos. Na casa de Bento, Lene e seis filhos, todos músicos, mais de 300 jovens fazem ceia como se todo dia fosse um Natal.

Acreditando que o melhor para desejar boas-novas é revelar as realizações de quem deseja, este DOC convida à reflexão: quantos natais podem transformar alguém, uma família, um bairro, uma cidade?

Jefson Rodrigues representa um dos bons exemplos dessa entrega de belas histórias que ouvimos pelo caminho. Tanto de quem dá, quanto de quem recebe. Convidado para uma ceia na forma de dança, ele tenta retribuir. Quando disse em casa que queria dançar, ouviu que é preciso pensar no futuro, para ter um. A dança não entra no horizonte de quem quer para os filhos o vocativo de doutor. Não por orgulho, mas por necessidade mesmo. Viver é imediato.

"Eu comecei no hip hop pelas ruas, depois fui me aperfeiçoando, com 21 anos, no balé clássico, jazz, esses outros. Quando me vi, já estava dando aula, coreografando, participando do espetáculo da Katiana. Ela me moldou, não só dançando, mas como pessoa". Quando se olha aos 28 anos, Jefson, com o pouco que ganha como professor de dança, é o único que trabalha em casa e, portanto, sustenta. "Desde que coloquei para os meus pais que era o que eu queria pra vida, eles me apoiam".

Hoje, enquanto dá aula, Jefson vê os meninos e lembra de si no passado. Alongando os braços, flexionando as pernas, as mesmas com que caminha quilômetros para estar ali. Um dia foi ele recebendo os cuidados da Katiana. Agora, espera que seus alunos também cuidem do mundo.

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