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Preparando a chegada das águas

Com 53Km do CAC concluídos, será possível encaminhar a água ao Rio Jaguaribe e chegar ao Açude Castanhão. Foto: Honório Barbosa
00:00 · 10.06.2017 por Honório Barbosa - Repórter

Uma das maiores obras no Brasil de interligação, entre bacias hidrográficas, o Cinturão das Águas do Ceará (CAC), tem concepção de 2008, após projeto de Transposição do Rio São Francisco. Está em andamento, inicialmente, o primeiro trecho do CAC com extensão de 149Km, dividido em cinco lotes, orçados em R$ 2,08 bilhões. O Diário do Nordeste visitou a obra e constatou a dimensão e complexidade do projeto de engenharia para vencer declives, trechos de rodovia federal, sem demolição, e riachos, sem interrupção do leito natural. O tamanho dos túneis, a extensão dos canais, a junção dos sifões, as galerias e diâmetro de tubos por onde a água oriunda do Velho Chico vai escorrer, impressionam.

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O CAC fará a captação da água que será transposta do Rio São Francisco para o Ceará, a partir da Barragem de Jati, já construída, no município de mesmo nome, no Sul do Ceará. Este reservatório tem capacidade de acumular 32 milhões de m³. O esforço inicial do governo é concluir pelo menos 54Km da obra e levar água até a calha do Riacho Seco, em Missão Velha, depois ao Rio Salgado e daí ao Açude Castanhão para, em seguida, percorrer o Eixão das Águas, até Fortaleza, numa extensão de cerca de 500Km. Inicialmente, é preciso concluir todo o lote 1, os túneis Sítio Alto 1 e 2, um segmento de 9,2Km do lote 2 até chegar ao Túnel Veneza e, em seguida, transpor a água para o Riacho Seco e daí para o Rio Salgado.

Na primeira etapa, o CAC é dividido em cinco lotes e tem o traçado original de 149Km. Essa é a extensão total entre Jati e Nova Olinda, passando por Brejo Santo, Abaiara, Porteiras, Missão Velha e Crato. Em Nova Olinda, a água chegará ao Rio Cariús. Daí seguirá por Farias Brito, Cariús e Jucás, onde irá desaguar no Rio Jaguaribe, indo por Iguatu até o Açude Orós.

"No momento estão em execução os lotes 1, 2 e 5, em razão da disponibilidade de recursos por parte do governo federal", explica o diretor de águas superficiais da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), Antônio Madeiro de Lucena. De acordo com Lucena, os três lotes são suficientes para permitir a chegada de água até o Riacho Seco, em Missão Velha, e, daí, ao Rio Salgado, passando por Aurora, Lavras da Mangabeira e Icó, onde deságua no Rio Jaguaribe, indo até o Castanhão. A partir do Açude Castanhão, a água da Transposição do Rio São Francisco irá chegar a Fortaleza, por meio do Eixão das Águas. Será um longo caminho a percorrer, um esforço para assegurar o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Projeto

No primeiro trecho do CAC de 149 km, a água vai escorrer totalmente por gravidade. O lote 1 é o que apresenta mais serviços realizados, cerca de 82%, e tem 33Km de canais e 5Km de sifões. A previsão de conclusão é para fevereiro de 2018. Já o lote 2 está com 30% de suas obras realizadas com previsão de conclusão para junho de 2018. O lote três está com 19% e o quatro, com 4,26%. Em ambos, os serviços permanecem paralisados e sem previsão de retorno. O lote cinco, que inclui nove túneis e canais, já tem 77% das obras concluídas e previsão de conclusão para dezembro de 2017.

No trecho 1 do CAC, o ritmo de trabalho e a movimentação das máquinas são intensos, desde a fixação de comportas nas três galerias da obra de captação no entorno da Barragem Jati, na instalação de lonas de PVC e concretagem de canais, na edificação de túneis e na conclusão de sifões, bueiros, drenagem e outros serviços. Cerca de 1.500 operários estão envolvidos.

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Lucena observa que a prioridade é fazer a captação de água da Barragem Jati, concluir o lote 1, os túneis nos sítios Alto 1 e Alto 2 e 9,2Km do lote 2, ultrapassando o Túnel Veneza, chegando ao Riacho Seco, onde a água escorrerá por leito natural até o Rio Salgado. Esse segmento terá cerca de 54Km.

Importância

O engenheiro da Sohidra, que acompanha a obra, Igor Lima, reforça a importância do CAC para assegurar de forma emergencial o abastecimento da RMF. "As empresas estão trabalhando com esforço para cumprir o cronograma", frisou. "É uma obra de engenharia de grande estrutura, com canais de concreto, túneis e sifões, com muitos trechos e serviços concluídos e outros em conclusão". Lima observa o impacto na economia das cidades da região a partir da contratação de mão de obra local e circulação de dinheiro mensalmente por meio das empresas contratadas para execução.

"O Trecho 1 do CAC tem cerca de 150Km. Nós pretendemos ter, até o fim do ano, pelo menos metade disso, ou seja, 70Km / 75Km e, se tudo correr bem, com um nível de aporte de recursos como foi no ano passado, principalmente esses 200 milhões de reais que estão previstos da União para este ano, pretendemos concluir este primeiro trecho até o fim de 2019. O que importa é que 53Km do CAC estejam prontos para encaminhar a água ao Riacho Seco, conduzir ao Rio Salgado, daí ao Rio Jaguaribe e chegar ao Açude Castanhão", afirmou o titular da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira.

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