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Planos consideram vocação do Aeroporto de ser um hub

00:00 · 13.01.2018

A localização geográfica estratégica - sendo o ponto de melhor conexão com Europa, África e Estados Unidos no País - fará com que o Aeroporto Internacional de Fortaleza tenha toda sua infraestrutura montada para assumir um papel de centro de conexões do setor aéreo no Nordeste brasileiro para que qualquer companhia possa explorar essa característica, segundo afirma a Fraport ao responder qual seria a meta estipulada pela empresa para o terminal cearense.

"O desenvolvimento dos aeroportos depende muito da localização geográfica e da estratégia das transportadoras que os utilizam. Com isso em mente, Fortaleza tem potencial para se tornar um hub no Nordeste. A atratividade turística também é um forte fator de desenvolvimento para o destino", afirma a nova concessionária.

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Já sobre a captação de novas frequências a partir de negociações diretas com as empresas, a Fraport não revelou estratégias específicas para qualquer segmento, mas se disse aberta a negociações "se alguma companhia aérea tiver interesse em desenvolver sua base de manutenção em Fortaleza ou Porto Alegre", completa.

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Incentivos são valorizados

Mesmo afirmando que "está focada em iniciar as ações que levarão às melhorias esperadas nos aeroportos" e não destinou atenção à negociação para os benefícios fiscais que devem beneficiar o setor e potencializar o desenvolvimento da empresa, a nova administradora do Aeroporto Internacional de Fortaleza afirmou que "valoriza o esforço dos governos estadual e municipal em apoiar o desenvolvimento do hub", aponta.

Isso porque a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Ceará editaram leis para reduzir tributos às empresas do setor da aviação antes mesmo da chegada da Fraport à Capital. O objetivo era beneficiar qualquer companhia aérea interessada em instalar um centro de conexões de voos na Cidade, focando especialmente na Latam - pois a empresa anunciou ainda em 2015 o interesse de montar um hub no Nordeste e tinha Fortaleza entre os possíveis locais.

No entanto, com o congelamento dos planos pela Latam, os incentivos continuaram em vigor, oferecendo benefícios fiscais desde a manutenção de aeronaves até a compra de comida para ser servida nos voos, e o Grupo Air France-KLM e Gol não perdeu a oportunidade.

Qualidade em vista

Com o governo federal estimulando o setor, o estadual e o municipal cobrando tributos menores e uma população sedenta por voos mais baratos, o cenário promissor esteve, enfim, completo com a chegada da Fraport, que selou a parceria com o Grupo Air France-KLM e Gol e, desde este mês, conduz sozinha a administração do Aeroporto Internacional de Fortaleza.

A empresa promete o investimento inicial de R$ 600 milhões para a ampliação e requalificação do terminal e, segundo já afirmou a CEO Andreea Pal, deve executar mais que o previsto no edital de concessão assinado no ano passado. As expectativas são que as promessas se façam verdade nos próximos 30 anos em que a Fraport estará à frente do terminal cearense. Nesse tempo, outras vontades também deverão ser atendidas, como superar a média de penetração da aviação civil no Estado - 0,36 embarques anuais per capita, segundo último balanço feito pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) - e a média de 3,31 milhões de passageiros por ano. Além disso, empresários já contatam a Fraport e o governo estadual para ampliar a média de cargas, medida em 24,11 milhões de quilos.

De olho nesse futuro, a Fraport, ao ser perguntada qual análise faz do mercado da aviação no Brasil, mostrou-se consciente dos desafios do setor: "Vemos uma forte concorrência no mercado de companhias aéreas que, por um lado, está levando a preços de tarifas mais baixos, mas, por outro lado, também pode desencadear uma redução gradual da qualidade do serviço para os passageiros". Resta saber em que direção as companhias vão caminhar.

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