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Para que serve o carnaval?

Brincar pela alegria, direito ao riso sincero, colocando máscaras e desenhando a própria identidade. Começa a festa em que o verbo vai além do verso na canção, quando pede respeito e, assim, espaço

00:00 · 25.02.2017 por Melquíades Júnior
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Presidente do Maracatu Az de Ouro, Lucy Magalhães também já foi rainha nessa manifestação ( Fabiane de Paula )

O Carnaval tem a utilidade das cores que carrega: tantas, todas. Ao ser um momento de afirmação da ousadia, tendo por mote a irreverência, é uma ação de posicionamento do altar em que se coloca. Em Fortaleza, já foram os homens travestidos de mulher no Cordão das Coca-Colas em desfile da Avenida Duque de Caxias dos anos 1950, fazendo sátira às moças que se envolviam com os soldados do pós-Guerra. Já neste século XXI, são as brincantes do 'Damas Cortejam', que têm o feminismo como afirmação não-irônica do ser mulher.

Na Praia de Iracema, travestis e transformistas, com muito glitter e cores, fazem brotar uma segunda pele que é primeira: gênero diverso, menos objeto e mais sujeito. O maracatu, há tanto tempo de loas à negritude tão renegada, escondia em sua face o homem absoluto, até que nos anos 1980 a mulher reivindicou o direito de também ser rei ou rainha.

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As ruas da cidade, que em dias normais se perdem entre carros e motos, são reocupadas a pé em dias de festas, como no pré-Carnaval. É possível, andando, ver o que está ao lado e não se enxerga correndo. Ver não é o mesmo que aceitar, mas dá até para refletir no direito do outro enquanto se brinca.

O Carnaval é a alegria que protesta contra a tristeza. Não é a fuga do sujeito às preocupações sociais, senão o próprio encontro, na forma de diversão. Nem tudo é bonito, mas o que é respeitoso é belo.

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