Reportagem

O caminho da água

Foto: Eduardo Queiroz
00:00 · 10.06.2017

Nesse fim de quadra chuvosa de 2017, o nível dos reservatórios, em torno de 12,5%, está um pouco acima do verificado em igual período de 2016, quando foram anotados 11,9%. Mas o acúmulo de água continua crítico e houve uma queda do nível dos dois maiores reservatórios, o Castanhão e o Orós, o que compromete o abastecimento do Estado, que continua na dependência das chuvas de 2018 ou da chegada das águas da Transposição.

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Durante sete dias, o Diário do Nordeste percorreu mais de dois mil quilômetros de canais, barragens, reservatórios, estações elevatórias, túneis, adutoras e obras entre os estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará, seguindo os caminhos respectivamente de chegada e saída dos eixos Leste e Oeste do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), além do Cinturão das Águas do Ceará (CAC).

Começamos pela Região Metropolitana de Campina Grande, que teve o colapso de abastecimento revertido em abril passado, com a chegada das águas. Fomos até o município vizinho, Boqueirão, que abriga o terceiro maior açude da Paraíba, o Epitácio Pessoa, responsável pelo abastecimento de Campina Grande e mais 18 cidades. As águas do "Velho Chico" chegam ao Epitácio Pessoa pelo Rio Paraíba, que tinha todo o seu leito seco. Antes disso, molharam Sertânia (PE) e depois Monteiro (PB), onde foram recebidas com grande alegria, tendo direito a duas inaugurações, com o presidente Temer e os ex-presidentes, Lula e Dilma.

Seguindo outro caminho, partimos do Rio São Francisco, em Cabrobó (PE), de onde sai o canal do Eixo Norte, com destino ao Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Percorremos boa parte do canal até o Açude Tucutu (PE), onde as águas da Transposição repousam, até o momento. De lá, seguimos por vários trechos da obra parada desde junho de 2016, quando a construtora Mendes Júnior, encarregada do trecho, abandonou o serviço. O processo licitatório foi encaminhado em abril passado. Mas o resultado foi questionado judicialmente e permanece paralisado, gerando uma mobilização de governadores, prefeitos, parlamentares e do próprio governo federal, junto à Justiça, pela sua retomada.

Passando este trecho, ao cruzar o limite entre os estados de Pernambuco e Ceará, a realidade é outra. É bem verdade que o túnel, em Penaforte (CE), está abandonado. Mas, a partir de Jati (CE), a Serveng Engenharia está tocando as obras, que seguem em Brejo Santo e Mauriti a todo vapor. Elas se encontram com as obras do CAC, que será responsável pela distribuição em solo cearense.

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