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Nomofobia: quando o celular vira obsessão

00:00 · 12.08.2017 / atualizado às 08:42 por Textos: Lêda Gonçalves / Fotos: Nah Jereissati e Reinaldo Jorge

As tecnologias tornaram a comunicação interpessoal tão fácil quanto o aperto de um ou dois botões ou um simples toque na tela. Na visão da psicóloga, PhD em Saúde Mental e integrante do Instituto Delete, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anna Lúcia Spear King, essa facilidade traz inúmeras consequências, tanto positivas quanto negativas. Uma delas, aponta, é a nomofobia, caracterizada pela angústia que um indivíduo sente quando está longe do celular. "Se a pessoa está longe de casa e volta somente para buscar o celular, ou se fica nervosa, com palpitações quando está sem o aparelho, há indícios de um transtorno de ansiedade que precisa ser observado", explica, distinguindo o que é "normal" e o que passa a ser preocupante.

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A psicóloga alerta que esta fobia não é exclusiva para dependentes do uso de celular. "Quando surge uma tecnologia, ela afeta o comportamento das pessoas. Aquele aparelho provoca uma mudança e temos o impulso de nos adaptar", afirma.

Segundo ela, o nome deste transtorno vem da abreviação da expressão em inglês "no-mobile-phone phobia" (medo de ficar sem celular), mas está associado também ao temor de não usar notebooks ou outros aparelhos portáteis de comunicação. O receio de ficar incomunicável é explicado pelos pacientes. "A principal alegação dos que sofrem deste mal é que eles podem passar mal na rua e, sem contato, ficariam sem socorro", frisa.

O tratamento da nomofobia, realizado pelo Instituição e Ambulatório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é desenvolvido por meio de sessões de terapia cognitiva-comportamental. "Induzimos gradualmente sintomas que provocam pânico nos pacientes, demonstrando que são inofensivos", explica Anna. "O paciente percebe que as situações que passa são normais e, desse modo, perde o medo", pontua King.

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