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Momento de agir

O gado precisa ser bem alimentado para garantir a produção de carne, leite e derivados. Foto: André Costa
00:00 · 11.03.2017 por André Costa - Repórter

A busca por novas alternativas de alimentação do rebanho surgiu diante dos cinco anos seguidos de estiagem no Estado. Com o prognóstico divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) que aponta possibilidade de 37% de chuvas abaixo da média histórica para o Ceará neste ano, os produtores temem potencializar os prejuízos acumulados.

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Afinal, boa parte do rebanho bovino do Estado depende do aporte dos grandes açudes para a irrigação dos seus pastos e ainda serão necessárias muitas chuvas nas bacias do Alto e Médio Jaguaribe para isso.

"Não podíamos mais ficar só esperando pelo inverno", destaca o pecuarista Márcio Manoel Gonçalves. Ele afirma ter vendido mais da metade de sua criação de vaca leiteira nos últimos dois anos. Sua fazenda, localizada na cidade de Missão Velha, também na região do Cariri cearense, contava, em 2015, com mais de cem cabeças. Atualmente são apenas 40. "Tive que vender. Estavam morrendo de fome. A produção de leite despencou e os prejuízos só aumentavam ano a ano", lamenta.

O mesmo aconteceu com o rebanho de Antônio José. Nos últimos dois anos, ele viu sua criação declinar de 86 para 39 vacas. "Na zona rural do Crato, estimamos que o rebanho caiu cerca de 20% em comparação a igual período do ano passado", pontua a técnica extensionista social da Ematerce, Maria Eucileide Nogueira Mendonça.

Com rebanho diminuto, a produção da Cooperativa Agroindustrial dos Pequenos Produtores do Sítio Malhada (Caipema) foi diretamente afetada. Em 2009, quando foi criada, a Cooperativa produzia dois mil litros de leite por dia, que eram divididos entre a fabricação de queijo, ricota, iogurte, nata e manteiga.

Atualmente a produção é de apenas 800 litros/dia. O impacto financeiro afetou as 416 famílias residentes na comunidade, que direta ou indiretamente dependem da cooperativa que passou a limitar sua comercialização apenas ao Crato. "Nos tempos áureos, vendíamos para Juazeiro do Norte - a maior cidade do Interior cearense -, Crato e até Barbalha", pontua o agropecuarista José Albuquerque.

"Não tem segredo. Com a seca, o gado come menos e, por consequência, produz menos leite. O prejuízo é do produtor, das famílias que dependem da cooperativa, enfim, a seca afetada drasticamente toda uma cadeia", complementa o engenheiro agrônomo e assessor regional em agricultura, Jorge Pinheiro.

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Esperança

Se por um lado a seca dos últimos anos levou o verde das lavouras, por outro, a palma trouxe a esperança para o sertão, mesmo diante da seca. A expectativa dos agricultores é de recuperação na pecuária já no fim deste ano e início de 2018, com a implantação dos novos recursos. "Os primeiros testes mostram boa aceitação do rebanho. Faremos uma boa combinação com outros volumosos e nossa estimativa é que o rebanho volte a produzir bem já nos próximos anos", projeta José Albuquerque.

Segundo a extensionista Maria Eucileide, em 2014, a média de produção de leite por vaca era de 14 litros por dia. Neste ano, caiu para oito litros por vaca. "Com a elevação da produção do leite, o que deve acontecer com a implementação da palma na dieta do rebanho, os agricultores e produtores já podem vislumbrar dias melhores", detalha, ao lembrar que a planta também pode ser usada na culinária.

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