Reportagem No País e no Ceará

Modal cearense registra expansão de 10% em 2018

Principais vantagens do aéreo sobre os outros modais são rapidez para médias e longas distâncias e segurança
00:00 · 07.07.2018

Ainda responsável por uma pequena fatia do mercado de transporte de cargas, o modal aéreo dá sinais de franca expansão no País e no Ceará. Com o incremento de voos nacionais e internacionais ainda neste ano no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, aliado à demanda reprimida da indústria local, o meio de transporte tem potencial para crescer ainda mais nos próximos anos.

De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a movimentação de cargas e correio via aeroportos no País apresentou crescimento de 17,2% no acumulado de janeiro a maio de 2018 em comparação a igual período do ano passado. A mesma base de dados mostra que, no Fortaleza Airport, o transporte de cargas avançou 10,1% no mesmo intervalo.

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Na avaliação de Rafael Cunha, especialista em Planejamento e Estudos Logísticos, a perspectiva de crescimento da movimentação de cargas pelo transporte aéreo é não só uma resposta à maior dinamização da economia, mas também ao novo cenário de gestões privadas dos aeroportos. "Com as concessões, os terminais também estão disputando entre si esse tipo de carga, de forma que consegue baratear os custos e atrair clientes", explica.

Ele pondera que a sustentabilidade desse crescimento deverá acompanhar o ritmo da economia no País. "Embora não seja o que se esperava, a situação econômica hoje é melhor que no ano passado e vai ser impactada pelo resultado das eleições. Se as expectativas forem boas, essa oportunidade se concretizará. Se ruins, o mercado vai ficar mais atento e pode acabar não puxando esse crescimento".

Alternativa

Com a crise logística evidenciada pela paralisação dos caminhoneiros no fim de maio, o transporte aéreo é visto como uma das alternativas para reduzir a predominância do modal rodoviário. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), apenas 0,4% das cargas no País são movidas pelo modal aéreo, considerando o peso - mais da metade (61,1%) é distribuída por rodovias, 20,7% por ferrovias, 13,6% pelo modal aquaviário e 4,2% pelo dutoviário.

De acordo com o Panorama 2016 do mercado aéreo, edição mais recente do estudo elaborado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a participação do setor na corrente de comércio brasileiro em 2015 foi de 0,1% em peso, mas de 12% considerando o valor econômico. O levantamento aponta ainda que, entre 2017 e 2022, prevê-se um crescimento de até 173 mil toneladas (t) na carga aérea doméstica transportada no País e de até 191 mil t na internacional.

Por outro lado, Rafael Cunha ressalta que a resposta para a maior eficiência do transporte de cargas no Brasil não está focada no setor aéreo. "Este modal é uma grande parte, que vai auxiliar muito nesse desfoque do rodoviário, mas a gente precisa muito do ferroviário, porque ele vai absorver carga que o setor aéreo não tem", destaca o especialista, lembrando que cargaspesadas, como minério, por exemplo, não compensam para o transporte aéreo.

Características

Comparado a outros modais, as principais vantagens do meio aéreo são a rapidez para médias e longas distâncias e também a segurança da operação, que acarreta em custos mais baixos com seguro das mercadorias. O modal é o mais indicado para o transporte de materiais de alto valor agregado e também de perecíveis, como pescados, frutas e animais, sendo também opção para outros setores.

Inclusive, com o aumento dos assaltos às cargas nas rodovias brasileiras, muitas empresas estão optando pelo transporte aéreo para reduzir riscos de perdas mesmo em trajetos mais curtos. Por outro lado, o valor do frete mais alto que os demais ainda é o principal fator restritivo ao modal e varia com o volume, densidade, destino e características do material a ser transportado.

Destinos

No mercado brasileiro, as cargas por via aérea são bem divididas entre destinos nacionais e internacionais (em 2017, 52,7% foram a destinos domésticos e 47,3%, ao exterior). Conforme os dados da Anac, o crescimento do transporte aéreo de cargas foi puxado pelo segmento internacional, que cresceu 22,05% no acumulado de janeiro a maio frente a igual período de 2017, enquanto o doméstico avançou 13,1%.

Já no Ceará, o mercado doméstico ainda é significativamente mais forte. Segundo a mesma base de dados, a movimentação de carga para destinos nacionais no Fortaleza Airport correspondeu a 85,6% do total transportado nos primeiros cinco meses do ano, enquanto os produtos para exportação representaram somente 14,3% do total movimentado no período.

Valor exportado no CE é 2º no NE

O Ceará é o segundo do Nordeste em valor de exportação por transporte aéreo, atrás somente da Bahia (US$ 189,8 milhões), e 14º do País, de acordo com dados da plataforma Comex Stat, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). No modal, os principais produtos exportados pelas empresas no Ceará são, além de produtos de consumo das aeronaves, calçados, peles, pescados, vestuários e frutas.

Somando US$ 19,9 milhões de janeiro a junho, o valor de carga exportada pelo modal aéreo no Estado caiu 23,5% ante igual período do ano passado, quando foram exportados R$ 26,7 milhões. Predominantemente marítima, o valor de exportação por vias áreas no Ceará corresponde a apenas 1,9% do total exportado, perdendo até para o modal rodoviário, que transporta 3,3% do valor total das mercadorias ao exterior, segundo os dados do Mdic.

Ranking

O volume de carga transportada por meio do Fortaleza Airport de janeiro a maio coloca o terminal cearense na terceira colocação do ranking de movimentação de cargas no Nordeste e oitava no País, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No Nordeste, Fortaleza (16,7 toneladas) ficou atrás dos aeroportos de Salvador (18,3 t) e do Recife (21,1 t).

Mais concentrado que o transporte de passageiros, 84,3% das cargas foram embarcadas em nove aeroportos no período. Só o Aeroporto de Guarulhos concentrou 37,4% da movimentação, seguido por Viracopos (15,8%), Galeão (7,4%), Manaus (7,2%), Brasília (5,2%), Congonhas (3,1%), Recife (3%), Salvador (2,6%) e Fortaleza (2,4%).

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