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Moda se volta para a saúde e o bem-estar

00:00 · 01.04.2017

Não são poucas as indústrias que têm utilizado o cenário desafiador do Brasil como combustível para impulsionar a pesquisa e a inovação. De olho nas tendências do mercado e nas necessidades do consumidor, que busca cada vez mais conforto e funcionalidade no vestuário, muitas empresas ousaram e estão se destacando no cenário nacional e internacional com o desenvolvimento de novos produtos.

Exemplo disso é a Santista Jeanswear, que criou o primeiro denim (matéria-prima do jeans) repelente de insetos no momento em que o Brasil começou a lidar com uma epidemia de doenças como dengue, zika e chikungunya, transmitidas por mosquitos. A novidade foi lançada oficialmente no Brasil em novembro de 2016 e apresentada ao mercado mundial durante a Colombiatex 2017, em janeiro.

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"No ano passado, todas as áreas da empresa foram provocadas para criar inovação. A gente sempre observa o que está acontecendo no mundo e, vendo toda a crise de zika no Brasil, principalmente no Nordeste, a área da Santista que desenvolve produto teve essa ideia, junto com a CHT, indústria química alemã que tem dentro da sua linha esse repelente para todo tipo de inseto. Tecnologia semelhante já é utilizada em uniformes do Exército, roupas de trekking e camping, mas ninguém tinha pensado em fazer em denim porque ele é lavado. O desafio era manter a fixação de um produto repelente em um material que é lavado, uma lavagem diferente da caseira. Nosso time teve essa ideia e conseguiu desenvolver esse denim", conta a gerente de Comunicação e Moda da Santista, Sueli Pereira.

Foi assim que, na linha Denim Therapy, que é focada no bem-estar e na proteção, a Santista desenvolveu o Repeller (com 28% de stretch) e o Repeller Light (100% algodão, indicado para camisaria). Esses tecidos possuem acabamento à base de Permetrina, um composto que também é utilizado em alguns cremes e sprays repelentes vendidos no mercado. De acordo com Sueli Pereira, desde que a novidade foi anunciada no Brasil, a Santista aperfeiçoou a tecnologia e conseguiu aplicá-la em outras bases, como a sarja, e utilizá-la também em tecidos coloridos.

Patas quentes

Conforme a gerente, o produto tem efeito repelente, mantendo os insetos afastados e evitando o pouso de mosquitos. Há também o efeito patas quentes, ou seja, se o inseto pousa, a substância ativa provoca uma hiperexcitabilidade. Caso o inseto insista em permanecer no tecido, ocorre o efeito nocaute: a substância causa um efeito paralisante, causando a morte do vetor. "A morte do inseto não é por intoxicação. A Permetrina não é tóxica, não tem odor, não migra ou penetra na pele. Também não acumula no corpo ou no meio ambiente", reforça Sueli Pereira.

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Assim, os produtos da Santista com essa tecnologia podem ser utilizados sem restrições por adultos e crianças acima de dois anos. A empresa diz que o artigo não é indicado apenas para bebês abaixo de dois anos de idade devido à alta sensibilidade da pele.

Durabilidade

A gerente destaca, ainda, que a qualidade dos tecidos com essa tecnologia é a mesma dos produtos comuns. Além disso, o repelente tem boa durabilidade.

Para a lavanderia industrial, os tecidos podem ser lavados com indicação de processos desde amaciados à stone washed de até 60 minutos. Para o consumidor final, o produto repelente resiste nas peças a até 50 lavagens caseiras em máquina de lavar, no caso da sarja e dos tecidos para calças, e a até 40 lavagens no artigo Repeller Light.

Certificação

Sueli Pereira enfatiza que os artigos desenvolvidos e produzidos pela equipe de Desenvolvimento e Inovação da Santista Jeanswear, após serem lavados em lavanderia industrial, testados e aprovados internamente, foram enviados para testes e certificações na Alemanha, no laboratório do CHT. "Temos certificações europeias", afirma.

Uso

De acordo com ela, até o lançamento internacional, a única marca que tinha utilizado esses produtos da Santista era a Megadose Moda Gestante. "A Renner também comprou um lote para a linha infantil, mas ainda não entrou nas lojas", conta.

No entanto, pela receptividade dos clientes à inovação durante a Colombiatex, é possível que essa novidade esteja, em pouco tempo, disponível não apenas em diversas lojas brasileiras, mas também no mercado internacional. "Os clientes estão animados. O que acontece e que as marcas hoje ainda veem a roupa como uma função de embelezamento, mas o público está buscando mais performance. A roupa também está evoluindo, assim como os nossos equipamentos de casa. A roupa tem que acompanhar esse movimento, essa inteligência. Esses tecidos inteligentes estão começando a ganhar a se consolidar", finaliza.

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