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Maria Moreira Matos: por uma moda inclusiva

Formada em Design de moda, Maria Matos, 25 anos, desenvolveu coleção na qual desenhou, modelou, cortou e costurou as peças para atender as próprias necessidades (Fotos: Helene Santos)
00:00 · 09.12.2017

Para os padrões do mundo da moda, suas medidas não atenderiam as exigências da passarela, mas isso é o que menos importa para Maria Moreira Matos, 25 anos. Com apenas 1,17 centímetros, ela decidiu entrar para esse mercado de maneira diferenciada: produzindo moda inclusiva. Formada em estilismo, observa que o setor apenas está aberto para o quem é padronizado: "Espero que se abra pra gente também. A moda precisa se abrir".

A ideia da jovem, graduada em 2016, era, inicialmente, atender as próprias necessidades. Portadora de displasia diastrófica (com pernas e braços encurtados), suas roupas geralmente precisam ser reformadas, em especial calças, vestidos e camisas de manga longa: "Muitas vezes, eu mesma fazia os ajustes, pois já estava acostumada a mexer na máquina de costura".

Para as pessoas de baixa estatura, as únicas peças que não precisam de conserto são as de moda praia e íntima, devido ao tamanho normal do tronco. Por conta dessa realidade, Maria passou a se interessar pelo assunto, trocando o curso de Administração e Marketing pelo de Design de Moda. No trabalho final da faculdade, lançou minicoleção na qual desenhou, modelou, cortou e costurou as peças para atender as próprias necessidades.

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A partir de então, percebeu existirem outros caminhos a seguir na moda inclusiva, seja trazendo algo que atenda o estilo da pessoa, dentro da sua deficiência, seja usando recursos práticos para deixar a roupa cada vez mais acessível na hora de vestir, mas sem perder a elegância. Embora tenha um estilo mais despojado, Maria assina criações casuais e de festa. Uma das principais clientes é a amiga e coach Lívia Vasconcelos (texto acima), portadora de uma síndrome semelhante à dela.

Além disso, presta consultoria para quem precisa definir o look, entretanto, adianta que não gosta de padrões, prefere sempre se deixar levar pelo instinto. "Sou totalmente diferente, não gosto de mesmices nem de seguir regras", ressalta.

Animais

Essa personalidade libertadora e sensível ao mesmo tempo tem razão de ser. Quando criança, passava a maior parte do tempo no sítio da família, em contato com os primos e animais. Ainda hoje é assim. Morando em um sítio, no município de Pindoretama, vem a Fortaleza só quando necessário. Lá, tem cachorros, gatos, ramisters, peixes, pássaros e a sua égua Luna. "Se pudesse, pegava todos os animais de rua. Dói o meu coração de ver qualquer bichinho sofrendo".

Costuma cavalgar na praia e aprecia um banho de mar, mesmo sendo quase engolida pelas ondas. Contudo, nada faz medo à jovem, apreciadora de esportes. Pratica também stand-up paddle e wakeboard.

Devido a um acidente recente, deu um tempo, mas em breve retomará as atividades. E planeja algo mais radical: saltar de paraquedas.

Na família, somente ela nasceu com baixa estatura. Os pais e irmãos não são portadores da síndrome. Sensível e observadora, percebe que os olhares ainda são diferenciados para as pessoas que estão "fora do padrão", porém procura não se importar com isso.

No momento, está namorando, mas prefere não falar sobre o assunto. O objetivo, agora, é trabalhar para colocar no mercado a sua marca de moda inclusiva.

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