Reportagem Qualidade de vida

Luiza Laura e a felicidade na casa alheia

Há três anos em Lisboa, Luiza Laura aproveita para conhecer lugares encantadores de Portugal, a exemplo do Palácio da Ajuda. Fotos: Feranda Brasileiro e acervo pessoal
00:00 · 02.09.2017 / atualizado às 15:37

A liberdade de ir e vir, sem medo da violência, o desafio de morar em outro país e melhor qualidade de vida integram a extensa lista de bons motivos que levaram Luiza Laura Gondim Rocha, 63 anos, a residir em Portugal. Há três, valeu-se da lei que aceita aposentados brasileiros como residentes para concretizar o desejo. A ideia vinha sendo planejada há quase uma década.

Assim, a aposentada como funcionária da Prefeitura de Fortaleza vai revelando o processo de mudança para Lisboa, onde também vivem os dois filhos, Diana, mestranda em Direito, e Lucas, professor de capoeira e surfista. "Quando nos mudamos para outro país, é preciso estarmos abertos a mudanças, senão nos apavoramos com tudo. "Aí fala mal do povo, que o povo é bruto, que o povo é não sei o quê. Gente, quando nos mudamos para a um canto, temos de nos adaptar às regras das pessoas, Estamos na casa alheia".

Com personalidade destemida, de quem já residiu em Londres por um ano sem dominar o inglês, ressalta que quando resolve tomar decisões, topa tudo. "Não fico comparando os dois países, as pessoas, sempre vão ter os prós e os contra, não dá pra ficar esperando sempre mais, porque a gente se decepciona".

Uma das diferenças apontadas por Luiza é o comodismo do brasileiro, onde muitos têm empregada doméstica e carro: "Não é todo mundo que se adapta a este regime aqui. Não se mora na Europa com a vida que ainda se leva no Brasil", avisa.

Sem rotina

Estar aposentada (ou reformada, como dizem em Portugal) não significa estar parada. Muito pelo contrário. Luiza recebe pequenos grupos de brasileiros para quem cria roteiros personalizados, levando-os para lugares que, muitas vezes, fogem dos pontos turísticos tradicionais. E isso virou sua principal ocupação. "Conheço, agora, boa parte de Portugal. Também presto consultoria para ajudar a quem deseja se mudar para cá".

Por detestar rotinas, vive cada dia intensamente na capital portuguesa. A pele bronzeada sinaliza que está curtindo o verão nas praias nos arredores de Lisboa. Adora ir a museus, shows e andar a pé, descobrindo cada pedacinho da cidade, sobretudo no bairro da Ajuda, onde reside. "Já conheço muitos vizinhos".

Formada em Administração de Empresas e Direito, diz que Fortaleza começou a ficar "impraticável para ela: "Sou muito medrosa; não saía mais à noite. Como sou determinada, consigo superar o que depende de mim, mas não é o caso da violência".

Por isso, afirma com ênfase: "Sinceramente, o Brasil, para mim, é uma página virada. Estou muito feliz aqui, e estar perto dos meus filhos completou minha felicidade. Minha neta, que mora em São Paulo, sempre vem nas férias". Luiza já conquistou a amizade de alguns portugueses e está adaptada ao jeito de ser deles, às vezes incompreensível ao primeiro contato. E, com humor, diz achar muito legal quanto é chamada de "menina", correspondente, no Brasil, às expressões "moça, senhora".

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luiza laura

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