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Lima: vitrine da Fraport na América do Sul é espelho para Fortaleza

00:00 · 11.11.2017

Melhor aeroporto da América do Sul por sete vezes consecutivas, segundo atestou a Skytrax, o Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima (Peru), tornou-se a vitrine da Fraport para o Continente. Desde fevereiro de 2000, o Capex (sigla em inglês para investimento em bens de capital) cresceu 10,6%, atingindo o patamar de US$ 20 milhões aproximadamente. Os recursos foram refletidos diretamente no atendimento, infraestrutura e, como consequência, na movimentação do terminal, que vem mantendo crescimento de 9% sobre os 18,8 milhões de passageiros recebidos em 2016.

"Mais significativamente, o Aeroporto de Lima serve de motor econômico e de chamariz de alta qualidade para toda a região da capital e do Peru. O LIM acompanhou o país ao longo do seu caminho de crescimento econômico dos 15 anos", afirma a Fraport em nota sobre o desempenho do terminal, ressaltando a expansão de dois dígitos (10,01%) anual em número de passageiros e 4,6% em decolagens e pousos (137.996 no último ano).

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O volume de recursos gerados pelo Aeroporto é destacado pela concessionária também na contribuição ao governo peruano, que saltou de aproximadamente US$ 25 milhões em 2001 para US$ 225 milhões em 2016.

Novo momento

Com o tráfego ampliado em quase cinco vezes, o discurso adotado pela Fraport em Fortaleza, atualmente, muito se assemelha ao que aconteceu no aeroporto peruano, há quase 17 anos: "prioridade imediata no início da concessão foi implementar novos procedimentos, padrões operacionais e de segurança e implementar treinamento contínuo de pessoal - combinado com nossa expertise profissional de gerenciamento de aeroportos e desenvolvimento comercial".

A lista de intervenções incluiu, em duas etapas, construção de novas pontes de embarque, novas instalações de cargas, novas áreas de embarque, a expansão do terminal e também uma pista de rodagem de saída rápida para aeronaves.

Atração de investimentos

Deste trabalho foi desenvolvido o projeto do Peru Plaza, a área comercial de 5.500 metros quadrados (m²), considerado "um marco importante no desenvolvimento do Aeroporto de Lima". "Ao longo dos anos, os empreendimentos hoteleiros do aeroporto e outras empresas foram atraídos para o distrito da cidade ao redor do aeroporto. Em 2007, o Ramada Hotel Costa del Sol Lima, de quatro estrelas, abriu em frente ao terminal", afirma a Fraport sobre como empreendimentos importantes foram instalados nos arredores do terminal após a concessão.

Guardadas as devidas proporções - afinal, Lima é o portal de entrada para o Peru -, Fraport segue cronograma semelhante para Fortaleza, onde um novo mix de lojas deve ser operado em janeiro do próximo ano, quando a empresa assume a administração do Aeroporto Internacional Pinto Martins sem a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que ainda administra o terminal.

Em Lima, a tendência de companhias aéreas concentrarem operações de voos em aeroportos específicos - vista só neste ano no Nordeste brasileiro - foi implementada tão logo o Aeroporto Internacional Jorge Chávez foi concedido ao consórcio Lima Airport Partiners (LAP). Com participação majoritária (70,01%), a Fraport divide a administração do terminal com outros dois acionistas: IFC International Financial Corporation com (19,99%) e AC Capitales SAFI S.A. Do Peru (10%).

Outros avanços

Além das operações de hub feitas pela Latam e também pela Avianca, no Aeroporto peruano, a empresa informa ainda que "o número de companhias aéreas e destinos (incluindo o longo curso) cresceu ao longo dos anos".

"Lima é servida por cerca de 35 companhias aéreas que voam para 23 destinos domésticos e 46 destinos internacionais. Nos últimos anos, transportadoras europeias como a Air France, a British Airways, a KLM e a Iberia lançaram serviços regulares a Lima", acrescenta. Os índices alcançados nos últimos 17 anos, no entanto, devem ser superados muito em breve, com uma "grande expansão" planejada para o terminal. Ao todo, o consórcio capitaneado pela Fraport vai aplicar US$ 1,5 bilhão nesta nova etapa, que deve ter cronograma simultâneo ao do Aeroporto de Fortaleza.

Uma "segunda pista de aterrissagem - a ser construída em primeiro lugar - bem como um novo terminal de passageiros de última geração" serão alvo dos recursos, além de "outras infraestruturas para atender o aumento do tráfego", segundo informou a concessionária.

"Um dos aeroportos mais bem-sucedidos do portfólio global da Fraport, Lima alcançou consistentemente um forte crescimento, um alto nível de atendimento ao cliente e reconhecimento e oferece um grande potencial para o Peru e a América do Sul", afirma a empresa.

Hub fez decolar a economia em Campinas

Campinas

Menor dos três grandes hubs brasileiros, o centro de conexões de voos da Azul em Campinas, no Aeroporto Internacional de Viracopos, transformou a movimentação do terminal - antes predominantemente destinada a cargas - e, como consequência, impactou a economia do Município. Desde 2008, quando a companhia instalou sua base de voos, a movimentação de passageiros no aeroporto saltou de 1,1 milhão (2008) para 10,3 milhões (2015).

"A cidade vem sentindo os resultados com a vinda de fornecedores que visam à cadeia da aviação, empresas de transportes, hotéis, entre outros. Temos que considerar também que o investimento da Azul já teve duas fases: a primeira com a instalação do hub e a segunda, anos depois, com a instalação da Universidade Azul (UniAzul), que fica próximo ao Aeroporto Internacional de Viracopos e concentra todos os treinamentos e simuladores da empresa. Isto gerou um ciclo de negócios relacionados ao setor, como a vinda dos funcionários para treinamentos", explica o secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas, André von Zuben. Sem números precisos sobre o impacto econômico do empreendimento no município, ele observa ainda que 2016 representou o primeiro ano de retração no volume de passageiros no terminal - quando caiu para 9,3 milhões -, mas garantiu que isso não deve comprometer a terceira fase de investimento da Azul no terminal, que "será a montagem do maior centro de manutenção em Campinas, previsto para os próximos anos, o que deve movimentar mais negócios para a Azul".

Estratégica e sem gargalos

Sem sequer um benefício fiscal concedido à companhia aérea, Zuben aponta como principais atrativos de Campinas sediar o hub da Azul à infraestrutura já instalada - "logística privilegiada, com rodovias modernas e próxima também da Capital (São Paulo)". Só em 2014, seis anos depois da chegada nos voos, a aérea foi incluída em uma lei que concede "redução do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e isenção ao Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU)". Perguntado sobre os gargalos que surgiram após o exponencial aumento de passageiros, o secretário afirma que "não tive problemas ou necessidades de planos emergenciais".

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