Dia após dia

Jovens também se apresentam até quando o corpo envelhecer

00:00 · 30.06.2018

A prostituição não se resume às ruas. Num bar/boate, no entorno do Passeio Público, mulheres ainda jovens e de corpos malhados tiravam suas roupas num show cheio de performance e sedução. Na plateia, homens de boa aparência e de diversas idades lotavam o espaço visitado numa tarde de sábado do mês de maio.

Com conforto e proteção, o espaço é fechado, climatizado e tem seguranças na porta, bem diferente do que ocorre com a prostituição nas ruas do Centro de Fortaleza.

Com um passaporte R$ 10,00, é possível adentrar em mundo particular. Estávamos em quatro, observando. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis garotas em fila. Todas bem maquiadas, cabelos hidratados, desfilando roupas e bolsas de grife. "Veio me ver?", perguntou-me Letícia. Morena, alta, cabelos longos e aparentando 20 e poucos anos, a jovem insistiu na abordagem com palavras picantes. Sem sucesso, decidiu investir em outro cliente da casa.

Os valores dos programas variam conforme o perfil das profissionais, mas nada se compara ao preço cobrado pelas mulheres - sobretudo as acima de 40 anos - que atuam nas ruas. Após o strip-tease, os homens de uma mesa arrematam o show, dando o direito a eles de tocar o corpo da mulher que passa de mão em mão, ou de boca em boca. O fluxo continua, e novas apresentações acontecem, mudando apenas a "artista". Dia após dia, até o corpo envelhecer e dar vez a outras jovens protagonistas.

(Colaborou: Ideídes Guedes)

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