Reportagem No varejo

Investimentos são essenciais para transformações darem certo

Os empresários Assis Cavalcante, da Óticas Visão, e Deusmar Queirós, da Pague Menos, destacam possíveis estratégias para a transformação dar certo no varejo
00:00 · 16.09.2017 por Raone Saraiva/ Bruno Cabral - Repórteres

Além de mudanças na legislação municipal e de melhorias da infraestrutura pública, o sucesso dos novos horários de funcionamento do comércio de rua de Fortaleza dependerá do empenho dos lojistas em motivar vendedores e mudar a cultura das empresas. "É preciso formar times para trabalhar à noite, o que não é fácil, principalmente em datas como Natal e Réveillon", observa o empresário Deusmar Queirós, sócio-controlador do Grupo Pague Menos.

Pioneiro na implantação de farmácias 24 horas na Capital cearense, Queirós diz que, mesmo em dias normais, é difícil convencer os funcionários para "virar a noite" trabalhando. "Nós já temos lojas 24 horas há mais de 30 anos na cidade, os desafios são grandes para viabilizar isso. Precisamos estar prontos para investir", acrescenta.

Para ele, o lojista deve ter um mercado consolidado a fim de viabilizar a abertura do negócio no período noturno. "Não são todas as atividades que têm perfil para esses horários. No início, em cada segmento, serão apenas algumas lojas. Aquelas que estiverem em lugares estratégicos da cidade", acredita.

Como a maior parte das zonas especiais ficará em áreas de grande fluxo turístico, as empresas terão de investir na contratação de pessoal e, sobretudo, na capacitação dessa mão de obra.

Maior demanda

"Para funcionar 24 horas, o comércio terá de aumentar o número de empregos. E Fortaleza, por ser um destino turístico, terá de oferecer mais serviços nessas áreas depois das 18 horas, principalmente na orla. Para que isso seja viável, teremos que criar mais áreas de lazer e restaurantes", pondera Queirós.

Centro

Para viabilizar o comércio noturno no Centro, o empresário Assis Cavalcante, presidente do grupo Óticas Visão, diz que o ideal é que as empresas comecem aos poucos, alterando a estrutura das lojas, formando equipes para atender outro tipo de público de forma a criar um fluxo constante de clientes.

"O lojista não vai, de imediato, abrir sua loja 24 horas ou até a meia-noite. Teremos de fazer um esforço para abrir aos domingos e, aos poucos, criar essa demanda", ressalta Cavalcante, que tem 12 lojas no Centro de Fortaleza. "Hoje, nós já funcionamos em horário estendido, mas apenas em véspera de grandes datas, como no sábado antes do Dia das Mães, ou em feriados, mas tudo isso depende de negociação com o sindicato", explica.

Cavalcante lembra que, quando os shoppings começaram a abrir aos domingos, poucos acreditaram que a ideia desse certo até que se tornasse um dia normal de vendas, sendo considerado até um dos melhores da semana em termos de faturamento. "O importante é darmos o primeiro passo e criar essa nova cultura", pontua o empresário.

Supermercados

Por anos, diversos supermercados de Fortaleza funcionaram durante 24 horas. Mas o fluxo de clientes no horário foi inferior ao esperado, inviabilizando as operações. "Não temos movimento para manter uma loja aberta o dia todo, pois de meia- noite até 5 horas da manhã são pouquíssimas pessoas nas lojas", afirma Gerardo Vieira, presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu). "Nosso foco atual é abrir os estabelecimentos aos domingos e feriados em horário normal", revela.

LEIA AINDA: 

> Fortaleza dia e noite: a transformação do varejo
> Mudança requer ousadia e gestão mais eficiente
> É preciso apostar na criatividade, diz presidente da CDL
> Corredor turístico preparado para serviços e lazer
> Shoppings centers mostram que inovar dá certo

Reportagens

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.