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Inovação costura: uma nova indústria têxtil

00:00 · 01.04.2017 por Dháfine Mazza - Editora assistente

De alternativa para proteger o corpo das intempéries climáticas a símbolo de status socioeconômico, a roupa evoluiu junto com a civilização e segue ocupando lugar de destaque na sociedade. Hoje, a roupa não é apenas uma peça de vestuário, é um artigo tecnológico e funcional cada vez mais responsável por elevar a qualidade de vida das pessoas e por movimentar a economia.

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Mesmo em um cenário desafiador, a indústria têxtil brasileira - e também a do Ceará - continua investindo em inovação e focando em sustentabilidade para se destacar no cenário mundial e retomar o crescimento. "A tecnologia e a conformidade são dois temas cruciais para nossa indústria. As empresas estão muito focadas nisso", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.

Ele destaca as parcerias da Associação com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Universidade Mackenzie para o desenvolvimento da inovação no setor têxtil, bem como o maior interesse das empresas em tecnologia para desenvolver peças diferenciadas e criar acabamentos especiais. "Há, por exemplo, o MackGraphe, da Universidade Mackenzie, em São Paulo, que pesquisa o uso do grafeno - um material derivado do grafite que é ultraleve, muito resistente e com alta condutibilidade - em produtos têxteis", conta. "O setor têxtil do Brasil está atualizado. Em um quadro de recessão econômica, ao mesmo tempo em que as empresas precisam inovar, elas também têm que administrar um caixa que está com mais dificuldades", acrescenta.

Tecnologia

Apesar dos desafios, as empresas brasileiras têm se esforçado para manter os investimentos em novas tecnologias. "Já existe muita tecnologia na indústria têxtil para criar produtos funcionais, mais práticos, que ofereçam algo a mais ao consumidor. Nossas empresas aplicam a nanotecnologia para criar roupas com proteção solar e antiodor, por exemplo. E a gente acredita que isso vai se desenvolver nos próximos anos de uma forma muito acelerada. A funcionalidade vai estar mais presente na vida dos consumidores", avalia a presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem em Geral do Ceará (Sinditêxtil), Kelly Whitehurst.

Novo jogo

É de olho nessas tendências e nas mudanças na economia que as indústrias nacionais driblam as dificuldades, desenvolvem produtos diferenciados e ganham destaque no mercado interno e externo, dando início a um "Novo Jogo", tema da 29ª edição da Colombiatex, maior mostra têxtil, de insumos, maquinário e químicos para a confecção da América Latina. O evento, realizado em janeiro deste ano, em Medellín, Colômbia, foi palco da apresentação de diversas inovações da indústria têxtil do Brasil.

De acordo com o Inexmoda, instituto organizador do evento, entre os participantes internacionais, o Brasil foi o segundo em número de expositores (40), atrás da Índia (42). Dos participantes brasileiros, 26 empresas que foram ao evento com o apoio do Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira (Texbrasil) fecharam negócios no valor de US$ 2,9 milhões, com expectativas de US$ 49 milhões em negócios futuros.

Para além das cifras, o potencial da indústria têxtil brasileira encheu os olhos dos visitantes da feira. O setor local mostrou ao mundo que está dando início a um novo jogo, no qual a volta do crescimento é o maior prêmio.

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