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Hoje é dia de feira

Na feirinha da beira-mar, Maria Alves exibe feitura da renda de bilro
00:00 · 21.01.2017

Instalada em pleno calçadão da Avenida Beira-Mar, a Feirinha tem vários atrativos, dentre eles, a imensidão do mar. A brisa gostosa e o som das ondas chegando de mansinho na areia completam a alegria de quem passeia pela orla, ou mesmo, de quem trabalha lá diariamente. A rendeira Maria Alves é uma delas. Além de dar continuidade à tradição de produzir a renda de bilro, encanta os turistas com a sua forma rústica de tecer.

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Com a pequena almofada acomodada em meio aos produtos que comercializa, Maria exibe quase que diariamente a sua arte. Tem dias que não vende nada, mas não desanima. Justifica que a confecção de uma peça precisa de muito tempo e o valor nem sempre agrada.

Na Feirinha há mais de 30 anos, a rendeira diz que o turista em geral procura por lembrancinhas entre R$10,00 e R$15,00. Para driblar a crise e atender a este público, Maria oferece guardanapos pequenos ou toalhinhas com a renda aplicada por valores nesta faixa. O diferencial é que todos os seus produtos são de confecção própria. "Eu crio a renda, aplico, costuro, faço tudo", diz orgulhosa de seu ofício.

Regionalismo

Quem vem de fora geralmente procura algo que tenha de fato a identidade do lugar. Talvez por isto que as roupas de algodão rústico, com o nome de Fortaleza bordado, tenham agradado tanto. Além de ser um tecido natural, as peças trazem botões feitos com a quenga do coco, garantindo assim um toque mais regional. "O turista aprecia pelo conforto, pelo preço e por ser original", completa Davi Goes.

bolsa

Bolsa de palha de milho, produzida pro artesãos inseridos em projeto social dão o tom solidário da feira

Ainda se tratando de regionalismo, o humor também é marca registrada no Ceará, seleiro de grandes mestres do riso, a exemplo de Chico Anysio, Renato Aragão, Tom Cavalcante e Falcão. Com esta referência humorística, a comerciante Vera Rocha extrai o sustento da família a partir da venda de camisetas variadas, seja com mensagens engraçadas, com estampas que revelam as belezas naturais do Ceará, ou com frases bordadas do tipo "Estive em Fortaleza e lembrei de você".

Mas a Feirinha da Beira-Mar também tornou-se um espaço solidário. No box da Fábrica-Escola, o turista pode adquirir objetos regionais e contribuir com os egressos do sistema penitenciário. Por meio deste projeto, lançado pela Fundação Deusmar Queirós em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), esta parcela da população aprende um ofício artesanal.

"Além de levar um produto feito à mão e com características do Ceará, o cliente contribui ainda com um projeto social muito importante", afirma o presidente da Associação da Feira de Artesanato da Beira Mar, Theodomiro de Araújo Filho.

blusa

Roupas de algodão e camisetas estampadas confirmam o regionalismo

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