Reportagem Mercado brasileiro

Grandes terminais valorizam a participação de concorrentes

Aeroporto de Brasília (DF)
00:00 · 13.01.2018

A entrada definitiva de Fraport (Fortaleza e Porto Alegre), Vinci (Salvador) e Zurich (Florianópolis) no mercado brasileiro no início deste ano não gerou ameaça para as empresas que gerenciam os grandes aeroportos brasileiros. Representantes da GRU Airport (Guarulhos), RIOgaleão (Rio de Janeiro) e Inframerica (Brasília e Natal) reconhecem a competição por rotas, mas garantem que os novos concessionários irão ajudá-los em uma tarefa que deve beneficiar a todos: divulgar o Brasil no exterior.

"Tudo tem a ver com a estratégia de turismo do Brasil. Como o País se coloca lá fora e não aos seus olhos, ou seja, aos olhos do estrangeiro. Quem não é do Brasil, como vê? Acho que essa imagem é que todos os concessionários têm que tentar, de certa forma, mudar", afirma o gerente de Negócios Aéreos do GRU Airport, João Pita, indicando como todos devem crescer com mais estrangeiros chegando ao País.

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A ideia é compartilhada pelo diretor de Desenvolvimento Estratégico e Cargas do RIOgaleão, Patrick Fehring. O executivo dá como exemplo a movimentação no terminal fluminense, no qual 80% são demandados por brasileiros e apenas 20% são internacionais. "Então, acho que tem muita oportunidade de melhorar a imagem do Brasil lá fora e, claro, Fraport, Vinci e Zurich vão fazer esse trabalho na Europa e todo mundo se beneficia", afirma.

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Aeroporto do Galeão (RJ)

In loco

O Diário do Nordeste esteve no GRU Airport e no RIOgaleão, quando conferiu a estrutura que as empresas preparam para competir no mercado nacional. "Precisamos de aeroportos bem estruturados e uma malha aérea consistente para colaborar no desenvolvimento econômico e atrair mais turistas para o País", arremata a Inframerica, observando que "um aeroporto depende do outro para criar a malha aérea" e "as concessões criaram uma concorrência positiva no setor aéreo brasileiro que não existia".

Ajuda ou ameaça

O reconhecimento de um trabalho conjunto na divulgação do Brasil, no entanto, não anula a competitividade e todos têm objetivos concretos para alcançar no mercado, os quais, de certa forma, podem fortalecer ou ameaçar os planos de novos players como a Fraport, em Fortaleza. A GRU Airport, segundo Pita, definiu a meta de ser um hub para os turistas que vêm do Sul do Brasil e de países como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, e vão para o Nordeste. "Essa é nossa estratégia fundamental, de servir de ponto de passagem para a parte de cima do País. Obviamente, temos muitos passageiros locais, mas nosso foco é captar turistas de passeio e de negócios dessas regiões da América do Sul indo lá para o Nordeste e apanhar qualquer outro passageiro europeu que ainda venha para cá", diz, reconhecendo que a parceria da Fraport com o Grupo Air France-KLM e Gol Linhas Aéreas deve captar a maioria dos viajantes da Europa que venham ao Brasil de olho no Nordeste. "Estou muito satisfeito com a parceria da Air France-KLM. É bom para Fortaleza, bom para o Nordeste e é bom para São Paulo também. Pois mais mercado em Fortaleza é melhor para São Paulo. Estou absolutamente tranquilo com isso. Obviamente, competição nos faz trabalhar mais, mas trabalhar mais também é bom", avalia Pita. Já Fehring considera que o trabalho na RIOGaleão é para que o Aeroporto seja a primeira opção do estrangeiro que vem para o País. "Eu vejo assim: a gente (Rio e as novas concessionárias) vai ser concorrente, vamos competir por novas rotas, vai ter empresas avaliando a porta de entrada, mas Rio é Rio. Não posso ser arrogante, mas somos a segunda maior porta de entrada no País e temos um mercado muito forte", diz.

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Aeroporto de Natal (RN)

A Inframerica também demarca espaço ao apontar Brasília como hub aéreo de todas as companhias que atuam no País e conta sobre o plano de ser "um dos primeiros aeroportos do País a se tornar uma cidade-aeroporto", a partir de "um projeto avançado de expansão do sítio aeroportuário e a construção de um novo píer internacional". "O Aeroporto fica na Capital do País e temos uma capacidade gigantesca de capilaridade para todas as regiões brasileiras. E isso é essencial para a aviação. Esta capacidade de ligação é importantíssima para atrair novas rotas e destinos. Nosso objetivo é ligar ainda mais a América Latina e o mundo através de nosso hub", destaca a empresa ao ser perguntada sobre a meta para o terminal.

Player mais próximo

Quanto ao primeiro aeroporto do Nordeste a ser concedido à iniciativa privada, o cenário parece não ser tão positivo. Mesmo compartilhando a mesma vantagem competitiva que Fortaleza possui, pela localização geográfica, e sendo o maior exportador de frutas do País, o Aeroporto Internacional de Natal teve a pista recuperada em setembro de 2017 e, já no fim do ano, após a Latam confirmar o congelamento do projeto de instalação de um hub no Nordeste - equipamento que Natal disputava com Fortaleza e Recife - , o secretário do Turismo do Rio Grande do Norte, Ruy Gaspar, declarou que iria recomendar ao governador Robinson Faria a retirada dos incentivos fiscais para as companhias aéreas. No Estado, a alíquota do ICMS sobre o querosene de avião foi reduzida de 17% para 12% e pode chegar a 0,3%.

Ao ser perguntada se a questão foi tratada com o governo potiguar, a Inframerica afirmou que "mantém diálogo constante e positivo com o governo do Rio Grande do Norte", "mas não comentamos posicionamentos políticos". A assessoria do governo potiguar não respondeu até o fechamento desta edição.

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Aeroporto de Guarulhos (SP)

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