Reportagem Mata Atlântica

Geografia privilegiada e atrativa no Cariri

A Chapada do Araripe inclui diversos municípios e atrações aos amantes da natureza e dos esportes de aventura. Foto: Cid Barbosa
00:00 · 09.09.2017 por André Costa - Colaborador

Juazeiro do Norte. A cidade fundada por Padre Cícero Romão Batista ganhou o título de Capital da Fé e, em cima deste, rótulo se desenvolveu a ponto de tornar-se o maior Município do Interior cearense, com mais de 260 mil habitantes. Por muitos anos, o turismo religioso foi o grande propulsor da economia local. Hoje, no entanto, o turismo ecológico vem ganhando bastante espaço. Privilegiada por estar situada em uma região de belezas naturais singulares, Juazeiro expandiu as opções de lazer e viu o segmento ficar mais heterogêneo.

Localizada em uma região classificada como um "Oásis" em meio ao sertão cearense, os amantes de aventura enxergaram, não só em Juazeiro, mas também em cidades vizinhas, a oportunidade de explorar ao máximo a Chapada do Araripe, que, dentre tantos atrativos, possui a Floresta Nacional do Araripe-Apodi, um dos redutos da Mata Atlântica no Brasil.

Trilhas a pé ou de bicicleta, rapel, voo de parapente e até balonismo. O leque que compõe o turismo ecológico é farto. Para o instrutor de voo de parapente, Absalão Maia de Oliveira Carneiro, "o grande diferencial do Cariri é justamente a localização estratégica, perto de várias capitais do Nordeste, o que facilita a chegada de turistas, somado a riqueza da fauna e da flora da Chapada do Araripe".

Há quase 20 anos, ocorreu o primeiro voo de parapente na colina do horto. Absalão recorda que a prática não vingou. "Os instrutores moravam fora da região e acredito que, por essa razão, não tenham conseguido dar continuidade ao projeto. Naquela época também o esporte ainda não estava muito difundido no Cariri. Juazeiro vivia mais focada no turismo religioso, com as grandes romarias sendo o centro de tudo". Em 2002, quatro anos após o primeiro voo em Juazeiro, Maia concluiu o curso de formação para instrutores e "reimplantou" o esporte na região. "Hoje somos um grupo de dez pilotos e inúmeros praticantes desse esporte radical e super seguro", acrescentou.

A Colina do Horto foi escolhida, conforme explicam os instrutores, devido à posição da Serra em relação à direção dos ventos. "Para que seja favorável, o vento tem que bater de frente com a serra, formando correntes ascendentes, fazendo com que o parapente ganhe altura", pontual Oliveira. Os voos são realizados sempre aos sábados e domingos, a partir das 14h, e qualquer pessoa pode praticar o esporte, desde que não sofra de problemas cardíacos e que seja maior de idade. O valor do voo é R$ 130, com duração média entre 20 e 30 minutos.

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Educação Ambiental

A professora universitária e advogada Danielly Clemente, 27, é praticante do esporte. Ela conta que, desde adolescente, via voos de parapente em Fortaleza e, ao saber que estavam sendo ofertados na região, não pensou duas vezes. "Fui. Com muito medo, mas ansiosa pela aventura", brinca. "É maravilhoso ver Juazeiro de cima. Estar acima da estátua Padre Cícero e também ver um outro lado que eu jamais teria conhecido se não fosse voando de parapente", conta.

Além do parapente, Danielly faz trilha a pé, de bicicleta e também rapel. Para além do esporte, a advogada conta que o turismo ecológico "ensina e faz abrir os horizontes". "Gosto de fazer trilha porque existem lugares que eu não conhecia. Por exemplo, fiz uma trilha com o "Pedal da Urca", um projeto de extensão. Conheci muitos locais por meio das trilhas e passei a olhar o Cariri de uma forma diferente", acrescenta.

É cada vez maior o número de desbravadores da Floresta Nacional do Araripe, seja em caminhadas ou pedaladas. Grupos de Educação Ambiental têm percebido nessas iniciativas uma boa oportunidade para adequar o prazer do esporte à conscientização ambiental. "Um bom espaço de harmonização", pontua a educadora e bióloga Wanda Lúcia Batista.

O Geopark Araripe atua para fomentar o ecoturismo e promover Educação Ambiental. Frequentemente, membros do Geopark, que envolve seis municípios, desenvolvem caminhadas e trilhas dentro dos geossítios com jovens e adultos. No segmento que começa a despontar na região ainda há muito o que ser explorado, garantem técnicos do Geopark. São inúmeras trilhas, algumas bem mais populares e outras ainda a serem desbravadas. Em Santana do Cariri, por exemplo, pode ser percorrida uma pequena trilha que dá acesso ao Pontal da Santa Cruz. No topo, a recompensa é gratificante. A imagem panorâmica da Chapada do Araripe com um pôr do sol privilegiado. Em Santana, o turista pode visitar o Museu de Paleontologia. Há também a trilha do Picoto, uma das mais longas, pelas áreas de encosta, no Crato.

Já quem quer contemplar a beleza da cachoeira de Missão Velha, cheia nos primeiros meses do ano, com as chuvas, há trilhas beirando o rio. Outra opção é caminhar pelo Santo Sepulcro, no Horto, num passeio que une fé e paisagem. O local, conhecido como Caminho das Pedras, é de silêncio e oração, com uma visão privilegiada. Todos esses pontos são geossítios do Geopark Araripe.

Pioneirismo

Do chão ao céu. A Chapada do Araripe poderá ser vista sobre um ponto de vista único, do alto. O balonismo chega ao Cariri para fomentar ainda mais o ecoturismo. O sobrevoo está sendo gestado pela empresa Iguanna Turismo, responsável também por desenvolver outras práticas de esportes radicais na natureza. Aristóteles Teles, o Tota, diretor da empresa, afirma que o balonismo chega à região para marcar uma nova era do ecoturismo. A escolha pelo Cariri, conforme Tota, é simples, segundo detalha, "uma região com muita importância ecológica, de vastas riquezas naturais e com economia próspera". O objetivo do balonismo, ainda segundo Tota, é a contemplação: "queremos ir além do turismo. Vamos tentar fazer com que as pessoas olhem o meio ambiente, se encantem e, consequentemente, passem a cuidar mais, com maior zelo".

Teleféricos

A Colina do Horto em breve ganhará outro atrativo. A construção de um bondinho, que teve seu projeto aprovado no semestre passado, pelo governo do Estado, deve impulsionar o número de visitantes. Além da construção do teleférico, o Horto passará por revitalização. O projeto foi orçado em R$ 14 milhões.

Em Barbalha, o Estado também garantiu a construção de um teleférico, na região do Caldas. Avaliado em R$ 12 milhões o equipamento comportará quatro duplas de cadeiras de ida e volta, trajeto de 550m e subida de 180m de uma estação para outra. O teleférico terá capacidade de comportar 660 pessoas por hora. Ainda para o projeto está previsto um borboletário e uma praça localizados no alto do mirante. A proposta é de não ser apenas um meio de transporte, mas um meio de visualização da Chapada do Araripe, permitindo a interação das pessoas com as funções ambientais.

Geopark Araripe

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Geopark é uma marca atribuída pela Rede Global de Geoparques (GGN), sob os auspícios da Unesco a uma área onde sítios do patrimônio geológico (geossítios) representam parte de um conceito notável de proteção (geoconser- vação), educação (geoeducação) e desenvolvimento sustentável (geoturismo e desenvolvimento territorial). Um geossítio é caracterizado por ser um local de relevância nos seguintes aspectos: geológico, paleontológico, cultural e histórico. Do ponto de vista geográfico, um geopark representa uma área suficientemente grande e com limites bem definidos para servir ao desenvolvimento econômico local. O território do Geopark Araripe, no sul do Ceará, faz parte da região do Cariri cearense. Foi o primeiro geopark das américas e hemisfério sul reconhecido pela GGN e é composto por nove geossítios, distribuídos em seis municípios: Batateiras (Crato), Pedra Cariri e Ponte de Pedra (Nova Olinda), Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz (Santana do Cariri), Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada (Missão Velha), Riacho do Meio (Barbalha) e Colina do Horto (Juazeiro do Norte). O território totaliza 3.441km² Foto: Elizângela Santos

Mais informações:

Geopark Araripe
Telefone: (88) 3102-1237
geoparkararipe.org.br

Iguanna Turismo de Aventura
Telefones: (88) 9 9271-3603 / (85) 9 9996-5389
www.iguannaturismo.com

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