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Fortaleza dia e noite: a transformação do varejo

00:00 · 16.09.2017 por Raone Saraiva/Bruno Cabral - Repórteres

Antiga demanda do varejo fortalezense, a ampliação do horário de funcionamento do comércio de rua pode se tornar real em breve. Uma das principais propostas do Programa Fortaleza Competitiva - lançado no mês passado pela Prefeitura - estabelece zonas especiais onde os estabelecimentos comerciais podem abrir até a meia-noite ou durante 24 horas. O projeto tramita na Câmara Municipal e deverá ser aprovado até o fim deste ano.

A novidade poderá contribuir para o incremento nas vendas e aumento do número de vagas de empregos formais na Capital. "A loja aberta por mais tempo é sinônimo de mais negócios, pois gera mais vagas de trabalho e aumenta a arrecadação nas três esferas de governo, beneficiando toda a cadeia produtiva", resume Assis Cavalcante, presidente da Ação Novo Centro e diretor da CDL de Fortaleza. Atualmente, conforme informa, o fluxo de clientes no Centro é de 350 mil pessoas em dias úteis, enquanto aos sábados é de 420 mil. Deste total, 64 são comerciários que trabalham no bairro.

Sucesso

Mas o sucesso da mudança dependerá da atitude dos lojistas, que terão de formar novas equipes e modificar a cultura das empresas para se adaptar. E isso só é possível por meio de investimento em dois importantes segmentos empresariais - pessoas e processos - considerados essenciais no varejo e grandes diferenciais para se atingir bons resultados.

"O comércio pode, a princípio, ir testando os horários, observando as demandas nos diferentes dias da semana e olhando sempre para o seu público-alvo. É necessário que o setor encontre o que chamamos de vocação local, investindo em novidades, diferenciais", afirma o professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Kanter. "O comércio não pode esperar resultados imediatos, mas precisa pensar em retornos no médio e longo prazo", pondera.

Liberdade

Para os lojistas, o horário de funcionamento das lojas de rua deveria ser, no mínimo, igual ao das lojas de shopping centers. "Precisamos ter a liberdade para fazer a economia crescer e, ao mesmo tempo, respeitar a legislação trabalhista", destaca Cavalcante, elogiando a iniciativa da Prefeitura. "O projeto nos autoriza a abrir não só em outros horários, mas aos domingos e em feriados municipais", acrescenta.

A mudança no varejo fortalezense, diz Roberto Kanter, só ocorrerá de forma sustentável se houver uma união de forças envolvendo tanto o comércio e suas associações quanto os poderes públicos municipal e estadual. "Esse novo comércio não tem que envolver apenas as lojas de rua, mas serviço e lazer, segurança pública e mobilidade urbana", destaca o professor da FGV.

Estratégia

Segundo o presidente da Ação Novo Centro, a ideia do setor é começar a praticar os novos horários nos estabelecimentos dos corredores comerciais das ruas Guilherme Rocha e Liberato Barroso, para depois passar para outras vias do entorno.

"De imediato, podemos ter de 20 a 30 lojas abertas nessas ruas. E depois vamos aumentando, com a participação de bares e restaurantes. Contamos com o apoio da Polícia Militar, para a segurança, e dos órgãos municipais, para o entretenimento. Todo esse conjunto tem de funcionar. Acreditamos nisso", observa Assis Cavalcante.

Turismo

Para sustentar a demanda, o setor aposta, sobretudo, no fluxo turístico da Capital. No caso do Centro de Fortaleza, os lojistas defendem que o alongamento do horário nos dias de semana atenderia aos visitantes que desejam fazer compras à noite.

Nova cultura

"Durante o dia, o turista está nas praias e, no período noturno, ele geralmente aproveita para fazer compras e conhecer a cidade, o centro histórico. A visita ao centro em qualquer cidade é emblemática, mas o de Fortaleza, depois da 17 horas, está fechado", compara Freitas Cordeiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Ceará (FCDL-CE).

O varejo fortalezense também mira no consumidor que vai às compras fora do horário comercial para fomentar a demanda no período da noite e aos domingos e feriados, entre os quais estão moradores da Região Metropolitana de Fortaleza, servidores públicos ou trabalhadores da indústria.

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