Reportagem Na Caatinga

Esporte e aventura: ciclismo e motociclismo

Em Iguatu e Jucás, motociclistas fazem trilhas aos domingos entre sítios e cidades. Em Iguatu, há dois grupos de mulheres ciclistas: "As Brutas do Pedal" e "As Divas Bike". Fotos: Honório Barbosa
00:00 · 09.09.2017 por Honório Barbosa - Colaborador

Iguatu. As veredas e estradas de terra que rasgam o sertão cearense, no passado, foram usadas para o caminho dos bovinos e dos vaqueiros, durante o ciclo econômico do gado e do couro, movimentando a economia regional e interiorizando a população. Trezentos anos depois, a Caatinga é usada como trilhas para a prática de ciclismo e motociclismo de lazer, aventura e competição.

A preferência é a prática esportiva para lazer, que reúne gente de todas as idades. O ciclismo vem crescendo no Interior do Ceará na atual década. Em cada cidade há vários grupos. As trilhas, ou seja, o ato de seguir pedalando entre os centros urbanos cearenses, nas áreas rurais, e por cidades de outros estados movimentam os negócios de âmbito regional.

É o ecoturismo de trilhas para os ciclistas e motociclistas, a lazer ou em competições. "Não temos uma dimensão exata da movimentação financeira dessas atividades, mas sabemos que é crescente, ocupa hotéis, bares, restaurantes, nas cidades sertanejas. Ativa a economia local", observa o técnico em Turismo, Luiz Paulo Correia.

A paisagem natural do sertão foi modificada nas últimas décadas. Dezenas de rodovias asfaltadas interligam os centros urbanos e até algumas vilas rurais. Entretanto, muito foi preservado. Quem pratica mountain bike (MTB) e motociclismo de aventura utiliza as vias de terra, as trilhas entre a vegetação da Caatinga, as montanhas, os vales. Evita-se a pavimentação.

Na cidade de Iguatu, os grupos de ciclismo têm se popularizado para passeios diurnos, trilhas mais longas ou pedaladas noturnas entre as ruas de vários bairros. Um dos percursos mais usados é a Avenida Juscelino Kubitschek, que às quartas-feiras à noite é interditada para a prática ciclista de lazer.

O que chama a atenção é o crescente número de mulheres que passaram a pedalar para acompanhar o marido, namorado ou mesmo sozinhas visando adquirir aptidão física, boa forma e saúde por meio do esporte. "Busco qualidade de vida", disse Idelzuite Oliveira, 45, que há dois anos começou a praticar ciclismo. "Já perdi 12 quilos". Com isso, já obteve medalhas em competições femininas. O marido de Idelzuite é funcionário público federal e trabalha em Fortaleza. "Comecei por lazer, para tirar o estresse, mas hoje já faço trilhas longas, de 56Km, para Icó", disse.

Victor Pereira, 30, herdou do pai o gosto de fazer trilhas de bicicleta. Começou há três anos. É dono de oficina e revenda de peças e montagem de bikes. "Agora estou competindo em mountain bike".

Francisco Antônio do Nascimento, 49 anos, é fundador do grupo mais antigo de ciclismo, em Iguatu, Pedal do Sertão, há mais de 15 anos. Pedala duas vezes por dia, entre 60Km e 100Km. "Graças ao ciclismo, tenho uma boa saúde, vivo bem", pontuou ele, que já foi para Crato e Cajazeiras, na Paraíba.

Há dois grupos que reúnem mulheres ciclistas em atividade no Município, "As Brutas do Pedal" e "As Divas Bike". "Brutas é só o nome", adverte Socorro Souza, que costuma pedalar com três filhos de 11, 14 e 21 anos. Muitas ganharam dos maridos bicicletas de presente e o incentivo para começar a praticar o esporte. "Somos pioneiras e o grupo ganha cada vez mais adeptas", disse Joádna Gomes.

Velocidade

Alguns ciclistas preferem mais adrenalina e praticam a categoria de velocidade, "speed", bicicletas com pneus finos, para corridas em circuitos pavimentados. Efraim Alves é um deles. Começou há dois anos, mas vem se dedicando e participando de circuitos em Quixadá, no Cariri, e até em Pernambuco e Rio Grande do Norte, onde lidera duas etapas de campeonato local. Observa que existem as categorias estradão (entre cidades), circuito (espaço delimitado) e de melhor tempo.

Jandson de Souza, mais conhecido por sargento, representante comercial, começou a pedalar há quatro anos e nunca mais parou. "Tomei gosto e já participo de competições em outras cidades e estados com a turma de Iguatu, sempre trazendo medalhas", pontuou. O coordenador da turma do "Pedal do Coco", Gutemberg Fernandes, destaca que o ciclismo em Iguatu está bastante desenvolvido com trilhas e ecoturismo. "Praticamos um turismo regional, gerando renda nos setores de alimentação e hospedagem, aqui e em outras cidades, indo para competições ou recebendo competidores".

Motociclismo

Nas cidades de Iguatu e Jucás, grupos de motociclistas fazem trilhas de aventura aos domingos entre sítios e cidades da região. Com motos possantes, cortam veredas, enfrentam serras, terrenos alagados, riachos e os arbustos espinhosos nativos da Caatinga. "O nosso objetivo é o lazer, a união dos amigos, a brincadeira, não há competição entre os motociclistas", explica o coordenador do grupo, Paulo Holanda. Equipados, os trilheiros enfrentam desafios e riscos próprios do esporte.

moto

Em julho passado, houve a Trilha da Padroeira, em Jucás, que reuniu mais de cem participantes. O ronco das motos nos sítios atrai moradores, que ficam nas portas de casas, na beira das estradas observando os motociclistas passarem. As crianças ficam animadas e os mais idosos consideram uma aventura para doidos.

Um dos participantes, Carlos Palácio de Queiroz, lembra que, na época das chuvas, há maior prática das trilhas por motociclistas. "No período seco, a poeira traz riscos de acidentes, o calor gera mais incômodo, mas, no inverno, é mais agradável e a gente para nos açudes, riachos e toma banho". É por isso que o grupo local tem a denominação de "Lama na cara".

Mais informações:

Ciclistas
Pedal do Coco
Telefone: (88) 9 9996-6226

Motociclistas
Grupo Lama na Cara
Telefone: (88) 9 9921-4221

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