Reportagem Desafios

Dificuldades da parceria que está próxima de acabar

00:00 · 24.02.2018 por Irailton Menezes - Repórter

Um equipamento planejado para receber não só jogos de futebol, mas também outros eventos de grande porte, em âmbito nacional e também internacional. Com este conceito, foi projetada e criada a Arena Castelão. A exemplo de outras praças esportivas que já existiam pelo mundo, o "novo Castelão" foi inaugurado para jogos no início de 2013 com o intuito principal de receber partidas da Copa do Mundo de 2014 e, desta forma, deixar um legado para o futebol cearense.

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São cinco anos de uma história que levanta muitos desafios, missões e questionamentos referentes ao devido uso do famoso Gigante da Boa Vista. Um período que engloba grandes espetáculos esportivos como finais de campeonatos estaduais e eventos, dos quais os shows de bandas internacionais se destacaram, com registro de grandes públicos. Mas nem tudo é motivo de satisfação para quem usa e comanda o equipamento. Uma série de obstáculos, que chegam a comprometer a manutenção do estádio e a sua utilização por parte dos usuários, trabalhadores e torcedores, ainda merecem muita atenção.

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Neste sentido, o Diário do Nordeste procurou saber se o modelo vem agradando e trazendo benefícios para quem costuma frequentar a praça esportiva.

Mesmo com o estádio sem utilização mais efetiva em dias sem jogos e eventos, para atual titular da Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte), Euler Barbosa, é importante destacar a "eficiência" do equipamento, tendo em vista o gasto efetuado, além do esforço de levar a PPP (parceria público-privada) à frente. "É importante destacar que temos a arena mais barata de todas que foram edificadas para a Copa do Mundo de 2014 e também a mais eficiente, pois o aproveitamento dos espaços que foram feitos nessa dimensão proporcionou, por exemplo, que possamos ter dois prédios administrativos, onde dois órgãos do Estado funcionam dentro de uma perfeita harmonia. Eu tenho visitado outras arenas, desde quando assumi a Sesporte, em julho de 2017, e vejo que a nossa está um estado de conservação bastante interessante. Eu diria que a Arena Castelão e a Arena da Baixada (em Curitiba) são as que estão em melhor estado. Nesses cinco anos a gente tem tentado administrar essa parceria público-privada. Foi a primeira PPP efetivamente instaurada para esse fim, e temos tentado levar esse contrato até o fim da melhor forma possível".

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Parceria

Neste contexto, entra a parceria público-privada entre o Governo do Estado, através da Secretaria do Esporte, e a Luarenas, que administra a Arena Castelão. Responsável pela administração do equipamento, a Luarenas tem contrato com o Governo do Estado até o fim deste ano. Durante esse período, um episódio ocorrido em novembro de 2014 levantou uma série de questionamentos. O Estado constatou deficiências na organização e reassumiu a administração do estádio. Fato que foi contornado pela Luarenas no mês seguinte, já que a empresa apresentou argumentos para melhorias nos serviços e o Governo do Estado acatou, devolvendo o controle.

Hoje, a Arena tem um custo mensal, em média, de R$ 800 mil. O Governo do Estado, segundo a Sesporte, repassa R$ 500 mil. "Nem sempre repassamos todo esse valor, pois sempre que há um evento na Arena, a renda partilhada entre o Estado e a empresa. Isso acaba abatendo da nossa contra-partida", explicou Euler Barbosa. E não é certo que a empresa continue no comando da Arena. De acordo com secretário, "o Estado já está se preparando para um novo edital, de uma nova PPP. Identificamos uma série de defeitos nesse contrato. E esperamos que no novo contrato com a nova empresa que vai assumir esse contrato, possamos tornar essa relação mais vantajosa para o futebol e para o Governo do Estado também".

Interesse

À frente da administração do estádio desde 2014, quando houve a saída da empresa anterior, a Galvão Engenharia, a Luarenas admite que tem interesse em continuar. "Temos interesse e vemos isso como uma próxima etapa. Administrar um equipamento do porte da Arena Castelão tem sido um verdadeiro desafio e aprendizado e avalio esse período de forma positiva. Temos certeza que superamos os desafios e estamos no caminho certo para oferecer o melhor serviço", disse o vice-presidente da Luarenas, Flávio Portela.

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