Semiárido

Conviver & Preservar

Cinco anos seguidos de chuvas abaixo da média não foram suficientes para arrefecer o ânimo de pequenos agricultores familiares que têm desenvolvido formas de produção que valorizam os recursos naturais e permitem a convivência com as adversidades do Semiárido brasileiro

00:00 · 12.11.2016 / atualizado às 10:23 · 13.11.2016 por Textos: Maristela Crispim e Fernando Maia | Fotos: Eduardo Queiroz

Os dados de setembro do Monitor de Secas, ferramenta coordenada pela Agência Nacional das Águas (ANA), com participação de diversas instituições estaduais, como a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), revelam que 97,76% do território do Semiárido brasileiro vive uma seca grave, sendo este ano de 2016 o quinto ano consecutivo de chuvas abaixo da média.

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Diante deste quadro, só no Estado do Ceará, os açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) acumulam apenas 7,7% da capacidade, o que tem levado os governos federal e estadual a investir em carros-pipas, adutoras de montagem rápida e no megaprojeto de transposição das águas do Rio São Francisco para garantir o abastecimento humano, caso as chuvas não venham no ano por vir.

Mas, diferentemente de períodos de estiagem anteriores, algo mudou no sertão. Fatores como as bolsas que tiraram milhões da miséria são relevantes neste quadro. Mas saltam aos olhos as iniciativas de convivência que tiveram berço no próprio sertão, a partir do simples gesto de aparar e armazenar a água da chuva para usar depois.

As Tecnologias Sociais começaram a despertar a atenção pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que se transformou em política pública e já ultrapassou a meta inicial do ano 2000, garantindo o acesso à água para beber e cozinhar a mais de um milhão de famílias do Semiárido.

Depois vieram outras iniciativas, voltadas à segurança alimentar e à geração de renda, que fizeram toda a diferença sertão adentro, a ponto de, diante de uma Caatinga de perde as folhas pra não morrer na estiagem, canteiros verdes brotarem como um milagre que mantém o agricultor no seu lugar a despeito das dificuldades.

É disso que tratada este DOC, publicado em duas partes, sendo esta primeira focada no recurso mais fundamental para a existência de vida: a água.

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