Reportagem Novas aventuras além-mar

Claudiana e Marildo: descobertas e aventuras compartilhadas

00:00 · 02.09.2017 / atualizado às 18:38

O blog “Casa dos 40” – um de aventuras e experiências além-mar” foi a melhor maneira que Claw Cordero encontrou para relatar a vida em Portugal. Nele, traz, por exemplo, vídeos de lugares incríveis para visitar no Porto, onde reside desde 2015. Claw Cordero é nome artístico da cearense Claudiana Cordeiro, 43 anos, administradora de empresa e designer de interiores, que foi parar em Portugal por uma mudança de percurso de última hora. 

Juntos há oito anos, ela e o marido estavam de mudança de Fortaleza para São Paulo. Lá, Marildo Montenegro, 39 anos, cursaria mestrado. A conversa com uma amiga residente em Portugal, porém, levou o designer gráfico a optar pelo mestrado na Universidade do Porto. Motivos foram muitos para a decisão: maior facilidade para a validação do diploma no Brasil, acordo de assistência de saúde pública entre Brasil e Portugal e o reagrupamento familiar (Claudiana está em situação legal no país por ser casada com o estudante). 

Após dois anos da nova experiência, eles avaliam ter feito o melhor investimento de suas vidas, juntando todas as economias e partindo para a “aventura” muito bem programada. Curtem cada etapa da mudança. Consideram que fecharam o primeiro ciclo da nova fase ao vivenciarem as quatro estações no país. “Os primeiros quatro meses foram de adaptação, todo dia era um dia novo, a gente foi à procura de apartamento para arrendar, conhecer pessoas, conviver com novos hábitos”, vai enumerando Marildo, enquanto Claudiana complementa: “precisávamos entender a cultura e sociedade portuguesas, adaptarmos a outro estilo de vida, por isso fiz o blog para demonstrar todo esse meu sentimento de aprendizado”.

A conversa com o casal de cearenses foi assim: cada um com suas impressões sobre as experiências vivenciadas a dois, a maioria convergentes. “Com jeitinho brasileiro, conseguimos tirar o inverno de letra. Aprendemos a montar móveis, ligar forno elétrico, um monte de coisas, são muitas situações diferentes, coisas a aprender”, diz Marildo.

Desacelerar 

Morar em Portugal proporcionou também mais tranquilidade. Para Claudiana, o ritmo é diferente: “Estamos a aprender a desacelerar, a ‘olhar com os olhos de ver’ (termo muito usado aqui). A gente consegue ter mais qualidade de vida do que no Brasil, que era só trabalhar, trabalhar. Hoje, temos sensibilidade para escolher a hora até de não fazer nada, de parar e ir a um parque ver o pôr do sol”.

Profissionalmente, ela tenta trilhar o seu caminho. Não conseguiu ainda espaço para se firmar como designer de interiores e aposta no trabalho como consultora imobiliária. Estuda inglês e francês. Marildo dedica o tempo integral ao mestrado em design gráfico, cuja dissertação está sendo finalizada. 

Pós e contras 

Além de gostar da facilidade de visitar outros países da Europa com preço bem mais acessível, Claudiana diz ser gratificante descobrir o próprio Portugal. “Gosto dessa torre de babel, a toda hora escutamos vários idiomas de estudantes e turistas de outras nacionalidades. Gosto do artesanato, de muita coisa, só não gosto da água gelada do mar”. O marido acrescenta: “A liberdade de fazer quase tudo sozinho é outra vantagem”. 

Entre o rol de fatos que os deixa desconfortáveis está, segundo Claudiana, o elevado índice de violência doméstica conforme os padrões europeus, além de o povo achar que o Brasil se resume ao Rio de Janeiro. Para Marildo, as lojas e serviços abrirem tarde e fecharem mais cedo do que no Brasil é também outro inconveniente.

Afora isso, vão curtindo cada momento. A convivência com os portugueses surpreende. Chegaram à conclusão que “são uns queridos”. Na maioria das vezes, querem conversar, contar casos, falar das novelas brasileiras. Ficam, porém, um pouco irritados se a pessoa não conhece a cultura ou não entende o que falam. 

De tão adaptado, o casal lembra que, na primeira viagem de férias no ano passado, começaram a sentir vontade de voltar para casa – e não era a de Fortaleza, mas para o apartamento deles do Porto. “Foi quando começamos a nos sentir realmente em casa”, revela Claudiana.

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