Reportagem Mudança

Claudia Souza: vida com saúde, segurança e humor

A médica Claudia Souza, ao lado do marido português Albino e das filhas cearenses Camile e Larissa, formadas em Medicina na Universidade do Porto Foto: acervo pessoal
00:00 · 02.09.2017 / atualizado às 15:37 por Cristina Pioner e Germana Cabral - Enviadas a Portugal

O humor característico do povo cearense não deixou de circular nas veias da médica anestesiologista Claudia Angélica de Souza, 52 anos, residente em Portugal desde 2004. Antes, atuava em uma clínica em Fortaleza. Tinha todo conforto, duas empregadas, motorista. "Levava uma vida burguesa e a adaptação foi difícil. Hoje sei fazer tudo", diz a médica que optou por viver com tranquilidade numa pequena cidade no Norte

Em Vila Nova de Famalicão, a 30 km do Porto, trabalha como médica da família, área para a qual teve de fazer uma nova residência. Para exercer a função legalmente, passou por uma prova na Faculdade de Medicina do Porto, considerada uma das melhores da Península Ibérica. As duas filhas, Camile, 26 anos, e Larissa, 23, também cursaram Medicina nesta faculdade.

Em 2001, fez a primeira tentativa de morar no país-irmão, mas por questões burocráticas não deu certo, então acabou voltando para o Brasil. "Os documentos da nossa empregada doméstica deram certo, mas o meu e o das minhas filhas demoraram. Após três meses, voltei com medo de ficar ilegal", lembra.

Mudar de país e ter a profissão reconhecida em Portugal, na sua avaliação, faz toda a diferença. Mesmo assim, Claudia sentiu na pele o preconceito no início. "Cheguei a ter de usar o título de médica até para comprar pão na padaria perto do hospital. Isso foi muito mal", recorda.

Mas nada interfere na relação de amor que nutre com Portugal há tempos. Começou antes de 1998, por meio de amigos que iam fazer doutorado no estrangeiro. Assim, foram nascendo amizades, e ela passou a viajar como turista todos os anos: "Sempre amei tudo aqui".

Bem adaptada, respeitada e feliz, Claudia afirma que toda experiência vale como aprendizado. "Na vida pessoal, mudou tudo. Tenho um bem que nunca teria no Brasil: liberdade de sair com segurança a qualquer hora, bem como morar numa cidade pequena e ter tudo da cidade grande, e não ter trânsito", diz.

Trabalho árduo

Apesar da tranquilidade conquistada, a rotina de trabalho é intensa, mas nem por isso tem um bom salário, se comparado ao do Brasil. "Ganhava muito mais lá, porém não podia sair de relógio", diz Claudia que foi assaltada à mão armada mais de uma vez em Fortaleza. "Aqui existem carteiristas, mas não magoam as pessoas", completa.

Além da qualidade de vida, a médica encontrou um novo amor. Albino Brito trabalha na área de informática e é português, claro! Eles se conheceram em 2009, quando ela o chamou para resolver um problema no seu computador.

Com humor tipicamente cearense, Claudia explica que "o computador nunca mais ficou bom, e ele (o Albino) foi ficando, ficando. Nos meus 50 anos, ele me pediu em casamento. Isso já se vão 3 anos, mas estamos juntos desde 2010".

Da terra natal, sente saudade da família, dos amigos, do humor cearense, da ironia e da água de coco, que até consegue comprar em Lisboa, mas paga muito caro.

Ainda assim, não pretende voltar a morar no Ceará, ressaltando que as novas tecnologias têm ajudado a diminuir a saudade. Afora isso, destaca que a saúde primária é uma das melhores da Europa. Por essas razões, Claudia se diz privilegiada, principalmente por poder escolher um lugar para morar com segurança e ser feliz.

LEIA AINDA:

> Velho mundo, novos sonhos para os cearenses em Portugal
> Ângela Souza: calmaria à beira-mar
> Raimundo Neto e Racquel Chaves: cultura e estudos em família
> Jorgiana Varejão: a vida com planos bem traçados
> Amanda Teixeira: a melhor amiga dos cães
> Helena de Freitas: para morar em um porto seguro
> Lionn Lucena: o dono da bola em Vila do Conde
> Luiza Laura e a felicidade na casa alheia
> Claudiana e Marildo: descobertas e aventuras compartilhadas
> Brasileiros lideram estatísticas

Reportagens

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.