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Carnaval: meu estandarte, minha bandeira

00:00 · 10.02.2018 / atualizado às 01:08

Janeiro, para muitos, é um mês que só se começa a viver após passado o hálito das grandes festas de fim de ano, lá pela segunda quinzena, quando os vidros de glitter e os pacotes de confetes já dividem espaço com os itens essenciais do supermercado. As cores são muitas, as músicas, tantas; as vozes, inúmeras. Se antes, depois da virada, o ano engatinhava para começar - erguendo-se apenas no fatídico recesso de fevereiro -, hoje a paixão pelo Carnaval é tanta que já toma a cidade muito antes, em aquecimento para os quatro dias de folia geral.

É característico, o rosto de pessoa-amada do Carnaval, reconhecível na face de cada folião, ainda que por trás das diversas fantasias com que todos eles se vestem. Na praia ou na serra, na Capital ou no Interior, no centro ou na periferia, a festa tão brasileira, cujas origens nem se conhece ao certo, ocupa as esquinas do Ceará desde o século XIX, quando os entrudos - brincadeiras de rua em que os participantes jogavam lama uns nos outros - inauguraram aqui a ideia de carnaval popular. Estopim para o nascimento de um espaço-tempo que, após se revezar entre ser festa das classes altas e das mais baixas, se tornaria palco e símbolo de propósitos muito além de festejar.

Isso porque, diferentemente do glitter que acende os olhos no sábado e provavelmente só sai do rosto inteiro - e do cabelo e do pescoço e dos braços - na segunda-feira, com muito banho, o Carnaval ostenta estandartes que transpõem a função de ornamento. Na rua, no bloco, na vestimenta, nas vozes da multidão e na percussão que não cessa, flamejam também as bandeiras de luta por respeito: às tradições afrodescendentes, ao corpo, à mulher e à diversidade de cores, crenças, ritmos e rostos que compõem a identidade do Brasil de fevereiro a fevereiro.

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