Reportagem

Campos esquecidos

00:00 · 03.06.2017 por João Bandeira Neto - Editor-Assistente

Bem antes das grandes arenas, dos belos campos e das aconchegantes arquibancadas nas praças esportivas do Ceará, o chão de terra era o palco onde a bola rolava para divertir os fortalezenses no início do século XX.

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Quando o estudante José Silveira, em 1904, organizou a primeira partida oficial em Fortaleza, ele jamais iria imaginar que o esporte iria mudar hábitos das classes mais ricas da época, dividir famílias e alterar a vida de muitos jogadores, que viram a esperança de vida melhor no rolar daquela bola de couro.

Ainda concentrada em ruas próximas ao litoral, sem iluminação e com classes sociais bem delimitadas, o futebol nos primeiros anos em Fortaleza foi extremamente excludente e um luxo para poucos atletas.

Lugares incomuns de se imaginar na metrópole que Fortaleza se tornou já sediaram partidas de futebol. Praças, ruas, avenidas, universidades e igrejas que vemos hoje, já receberam o esporte mais popular do Estado. Com o desenvolvimento da cidade, os espaço foram reaproveitados, e as praças esportivas da Capital ficaram limitadas.

Local da primeira partida, quem passa ou visita o Passeio Público não imagina que o espaço já foi palco e presenciou grandes partidas do Foot-Ball Club, o primeiro time montado no Ceará. Por anos, as dependências do Passeio Público sediaram partidas entre o clube contra tripulantes dos navios que estavam de passagem pela cidade.

Rivalidade

Em um período anterior ao das grandes rivalidades do futebol cearense, como Fortaleza contra Ceará, havia uma tão acirrada quanto. Os confrontos entre as ruas 24 de Maio e Barão do Rio Branco marcaram época e fizeram Fortaleza ter mais um campo esquecido: Praça de Pelotas, atualmente Praça Clóvis Beviláqua (Praça da Bandeira).

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"À medida que a cidade ia se desenvolvendo, o futebol ia ficando forte e campos iam surgindo em meio a ruas e terrenos. Isso fez com que o esporte ficasse ainda mais popular no início da década de 20 em Fortaleza", lembra o pesquisador Nirez.

Hora de organizar

Esse desenvolvimento fez com que a cidade precisasse de um local fixo e mais organizado para reunir a elite aos domingos para ver o futebol. Foi então que as corridas de cavalo deram lugar e espaço para um campo de futebol. Inaugurado em 1913 como Stadium Sport Cearense, o local acabou sendo conhecido como Prado, um referência clara às corridas de cavalos que existiam no local antes da sua inauguração. Por muitos anos esse foi o palco onde os diversos atletas passaram e fizeram história no futebol cearense.

Mas se a elite resolveu concentrar o esporte em apenas um local, trabalhadores menos abastados trataram de espalhar o futebol por toda a cidade. Muitos campos surgiram nos mais variados bairros de Fortaleza e carregaram consigo memórias de quem viveu essa época onde o futebol ainda era embrionário.

Ao longo das próximas páginas, o leitor é convidado a voltar no tempo e entender a importância desses campos de futebol que acabaram sendo esquecidos e substituídos na cidade. É hora de fazer uma viagem pela Capital do início do século XX e estabelecer conexão com a atualidade.

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