Reportagem Jovem desejo e luta

Caminhos de oportunidades

Danilo dos Santos, campeão cearense de triathlon, encontrou no Cuca o suporte necessário para a prática esportiva. (Fotos: Kid Júnior)
00:00 · 01.07.2017

Praticante do triathlon há dez anos, Danilo dos Santos Lima, 23, há três, encontrou o suporte necessário para o impulso na modalidade esportiva, quando se mudou para o bairro Jangurussu, na Secretaria Regional VI. O meio para isso é o Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) da localidade, equipamento mantido pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Coordenadoria de Juventude.

Na unidade, pratica semanalmente natação, corrida e treino funcional para fortalecimento do corpo. A meta de uma carreira esportiva já trouxe resultados importantes. Danilo foi campeão cearense na modalidade, vice-campeão cearense no Triathlon Olímpico e em maio deste ano, participando do Campeonato Brasileiro de Triathlon, em João Pessoa, se classificou para o Mundial Triathlon Final Sprin/Standard, que acontece em setembro deste ano na Holanda.

O esporte, de acordo com o jovem, tem sido essencial para a sua formação como cidadão. "Está me dando estrutura, estou conseguindo minha vida através disso. Entrei na faculdade de educação física impulsionado pelo esporte e pretendo atuar nessa área até ficar velho", diz.

Refúgio

Saindo dessa área de atuação, Luciana Silveira, 21, também encontrou no Cuca um refúgio, um direcionamento a seguir. O contato inicial, em 2014, foi através de um curso de fotografia, prática de admiração da jovem. De lá para cá, fez outros cursos também voltados para o registro de imagens, passando, ainda, pelo audiovisual, cinema, rádio e TV, experiências que foram determinantes para a sua perspectiva de futuro.

"Ao terminar o Ensino Médio não sabia o que fazer. Como gostei muito do que fiz em comunicação no Cuca decidi entrar no curso de jornalismo. Hoje estou no 5º semestre e gostando muito da área. Tudo que eu fiz no Cuca me ajudou muito na faculdade, me deixou mais preparada. A rede me deu a orientação que eu precisava e ajuda muitos jovens que também não sabem o que fazer", diz a jovem.

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Junto com outras duas unidades, nos bairros Barra do Ceará e Mondubim, os equipamentos formam uma rede de proteção social e oportunidades aos jovens, ofertando cursos, práticas esportivas, difusão cultural, formações e produções na área de comunicação, além de atividades para fortalecimento do protagonismo juvenil. Mensalmente, são 5 mil vagas ofertadas.

A Rede Cuca é, hoje, a principal estratégia do município de Fortaleza de inclusão, proteção e garantia de direitos a jovens de 15 a 29 anos, residentes em áreas com grande vulnerabilidade social, segundo aponta o Coordenador Especial de Políticas Públicas de Juventude, Julio Brizzi. O sucesso da iniciativa, conforme destaca, é refletido nos números, já que ano a ano a Rede cresce em diversidade de serviços, oferta de vagas e público, passando de 66 mil jovens atendidos em 2014 para quase 100 mil em 2016.

Mais três unidades são esperadas na expansão da Rede, de acordo com o gestor. "Trata-se de um equipamento consolidado, mas estamos trabalhando para conseguir financiamento e dobrar a Rede de tamanho até 2020. Do tamanho que é já somos a maior Rede de juventude do País e conseguindo aumentar teremos indicadores ainda melhores para a cidade, respeitando o protagonismo juvenil. O jovem não é o problema, é na verdade a solução de qualquer sociedade que quer ser desenvolvida", destaca.

As secretarias regionais II, III e IV, ainda desprovidas dos serviços da Rede, receberão as novas unidades, especificamente nos bairros Pici, Prefeito José Walter e Vicente Pinzon. "São áreas com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), alta letalidade juvenil e grande registro de gravidez na adolescência. São locais que precisam de atenção para a juventude e com alta demanda desse público", completa Júlio Brizzi.

Os interessados em alguma atividade ou curso de formação na Rede Cuca podem se inscrever na unidade mais próxima, de terça a sexta-feira, das 8h às 21h, e, aos sábados, de 8h às 12h.

Serviço
 
Cuca Barra
Av. Presidente Castello Branco, 6417. Barra do Ceará.
Fone: 85 3211.4300 / 3211.4301
 
Cuca Mondubim
Rua Santa Marlúcia, s/n. Mondubim.
Fone: 85 3499.0019 / 3499.0018 / 3499.0017
 
Cuca Jangurussu
Av. Castelo de Castro com Av. Gov. Leonel Brizola
Fones: 85 3444.6201 / 3444.6202 / 3444. 6249

Cultura como demanda juvenil 

A cultura como instrumento de mudança. Mudar não apenas a trajetória de vida, mas também a visão de uma sociedade, romper preconceitos, atender, incluir. Todos esses propósitos estão intrínsecos na atuação do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), com foco especial na juventude.

Por meio de atividades de capacitação e promovendo o acesso a diversas formas de expressão de arte e cultura, o equipamento, em mais de dez anos de atividades, busca estimular a participação e o protagonismo na comunidade do Grande Bom Jardim.

Sua criação vem para atender a demanda da própria comunidade, segundo uma das coordenadoras do CCBJ, Ileide Sampaio. "O nosso trabalho imediato é de escuta, de abrir espaços, de diálogo com a comunidade, com os líderes comunitários para que a gente reconheça o que aqui já existe, aqui é um cenário inacreditável de produção cultural em todas as linguagens", afirma.

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O acesso ao teatro é uma das iniciativas ofertadas pelo Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ)

Nesse cenário, o Centro Cultural também atua na desconstrução do estigma de criminalidade imposto aos jovens do Bom Jardim. "Existe uma invisibilidade social, um estigma que é propagado especialmente pelos programas policialescos, com forte recorte de juventude. E aí, o Centro Cultural, que é fruto de uma demanda popular, nascendo de movimentos sociais e culturais do Grande Bom Jardim, vem pedir esse lugar de visibilidade, de potencia, de quebrar com esses preconceitos, de romper com esses estigmas em cima desses adolescentes", destaca Trícia Matias, também coordenadora do CCBJ.

Trata-se, ainda conforme a gestora, de um processo de ressignificação de si, do outro e das relações que se promove, tendo como principal impacto o fortalecimento do vínculo social e comunitário entre eles, além da transformação social. "A cultura transversalmente a todas as outras políticas tem essa potência, além de garantir e de promover direitos e acessos, de ressignificar relações, a de transformar socialmente a condição da realidade", ressalta.

Domínio

Trabalhar as trajetórias artísticas através do domínio de linguagem, seja pelo teatro, música ou o audiovisual, é dar a possibilidade de um projeto de vida e esperança a essa juventude, segundo avalia o presidente do Instituto Dragão do Mar, Paulo Linhares. "Quando um jovem desse consegue ter um domínio criativo de uma linguagem como essa a vida dele muda, ele redesenha a sua trajetória pessoal. O Centro Cultural é isso, é criar essas possibilidades em diversos locais e estudar que trajetórias são essas. Acreditamos nessa dupla função do CCBJ, tanto no acesso a uma cidadania cultural como na criação do campo artístico no Bom Jardim", afirma.

Serviço
 
Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ)
Rua Três Corações, 400. Bom Jardim
Fone: 85 3245.9036
Site: http://www.ccbj.org.br

Ofícios do amanhã 

O interesse pela arte material muito além das contemplações em exposições e museus. A vocação artística que perpassa o pessoal e atinge o coletivo. A missão da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, no bairro Jacarecanga, é capacitar o jovem para a restauração e conservação do patrimônio cultural da cidade, promovendo aos atendidos a inclusão no mercado de trabalho.

O programa atende jovens e adultos a partir dos 18 anos, residentes em bairros da capital com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mantendo a proposta pedagógica de fortalecer o sentimento de pertencimento e de reconhecimento do Patrimônio Cultural e Artístico do Estado. Além da conservação e do restauro, os alunos têm a opção de trabalhar na área do artesanato e da gravura.

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Além do eixo da Conservação e do Restauro, a Escola permite aos alunos atuarem com o artesanato e a gravura, com foco no mercado de trabalho

Uma instituição que, de fato, trabalha com políticas públicas de forma objetiva e efetiva, é o que destaca a coordenadora geral da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, Marley Uchôa, uma vez que a casa não registra taxa de evasão e muitos dos seus alunos acabam nas universidades, desenvolvendo pesquisas ou até mesmo retornando à instituição para dar aulas. Obras e esculturas do Museu do Ceará e do Museu Sacro São José do Ribamar, exemplifica, já passaram pelo restauro nas mãos de estudantes da Escola.

Poder Criativo

"Uma escola de arte valoriza tudo, todo o poder criativo e isso acolhe a pessoa que está passando por esse momento de transformação. A Escola de Arte e Ofícios empodera, você se torna uma pessoa que produz e é muito valorizado por isso. A questão emocional também é muito trabalhada, então eles se motivam a descobrir outros caminhos, a visualizar outros espaços. Eu acredito que um jovem que vive em vulnerabilidade social e que tem esse dom artístico bem aflorado está angustiado, num processo de criação que às vezes nem ele entende, e a Escola vem justamente nesse momento", afirma Marley Uchôa.

Serviço
 
Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho
Av. Francisco Sá, 1801. Jacarecanga.
Contato: 85 3238.1244 / eao@eao.org.br

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