Reportagem

Benefícios por onde passa

A Barragem Epitácio Pessoa, em Boqueirão (PB), responsável pelo abastecimento de 19 cidades da Região Metropolitana de Campina Grande, já evoluiu de 2,8% para 4,8%
00:00 · 10.06.2017

No dia 10 de março, o presidente Michel Temer acionou a comporta do reservatório de Campos, estrutura do Projeto de Integração do São Francisco (Pisf) que leva água primeiramente para Sertânia, pequeno município do sertão pernambucano, a 300Km da capital, primeiro do Estado a ser beneficiado com as obras de Integração do Rio São Francisco.

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Alguns dias antes, no dia 3 de março, a Barragem Barreiro, um dos quatro reservatórios do Pisf na cidade de Sertânia, teve um vazamento. Na ocasião, cerca de 60 famílias de dez comunidades precisaram ser retiradas de casa e abrigadas em um ginásio, uma escola municipal, um salão paroquial e o canteiro de obras do Pisf na comunidade Rio da Barra. As obras do reservatório foram iniciadas em março de 2014 e finalizadas em setembro de 2015. A barragem começou a receber água no dia 25 de fevereiro, e levou dois dias para encher. Sua capacidade é de 2,6 milhões de m³.

Sortudos

Superado o incidente, os moradores da cidade se consideram sortudos por estarem no caminho da emergência do Estado vizinho da Paraíba e por isso ter recebido a água da transposição primeiro. "Foi uma melhoria incalculável. Não temos palavras para agradecer", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sertânia, Severino Gomes de Lima, 65, o Bidoia. Ele lembra que, além de Sertânia, outros municípios estão sendo beneficiados com essas águas, por meio da Operação Pipa do Exército.

Só faz duas ressalvas: espera que, quando a fase de contingenciamento passar, os pequenos agricultores possam ser beneficiados com água para a sua subsistência e também que o povo tenha mais consciência em relação ao canal e às barragens. "Isso não é piscina e nem é praia para comercializar comida, tomar banho e sujar as águas. Entendo que é um momento de muita alegria. Mas espero que com o tempo isso mude", afirma. Segundo ele, quatro pessoas do Município já morreram afogadas, apesar de todos os avisos de que o banho é proibido.

Colapso

Segundo dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), são monitorados 87 reservatórios no Estado, dos quais 53 estão em colapso. Do total, os do Sertão estão com 3% da capacidade; os do Agreste, com 8%; e os da Região Metropolitana de Recife / Mata, com 51% (atingiram esse nível por causa das chuvas dos últimos dias). Os três maiores açudes do Estado são: Poço da Cruz, com 2,3% da capacidade; Entremontes, com 1%; e Jucazinho, que está seco. Apenas quatro estão entre 95 e 100%. Diferentemente do Estado do Ceará, o regime chuvoso em Pernambuco varia de acordo com a área. Na Região Metropolitana de Recife (RMR), Zona da Mata e Agreste, inclui os meses de maio, junho e julho. Já no Sertão, costuma chover nos meses de fevereiro, março e abril.

Pior balanço

Segundo os dados da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), a região com o pior balanço hídrico é o Agreste, onde 50 cidades estão em situação de colapso e pré-colapso. Na região do Sertão pernambucano, há três cidades em colapso e quatro cidades em pré-colapso. Em setembro do ano passado, a escassez de chuvas levou ao colapso o maior reservatório operado pela Compesa, a Barragem de Jucazinho, localizada em Surubim, com capacidade de acumular 327 milhões de m³. Só Jucazinho chegou a atender 15 cidades da região Agreste, entre elas, Caruaru.

Ainda segundo as informações da Compesa, após a chegada das águas do São Francisco a Sertânia, a oferta de água para o Município dobrou. O calendário de abastecimento passou de dois com água e 26 dias sem (2 x 26) para três dias com água e 16 dias sem (3 x 16).

A Companhia destaca que, para concluir a Integração da Transposição do Rio São Francisco pelo Canal do Eixo Leste (que já está pronto), será preciso construir o Ramal do Agreste. A obra será executada pelo Ministério da Integração Nacional (MI), terá 70Km e fará a conexão com Adutora do Agreste, no município de Arcoverde.

A Adutora do Agreste é a principal obra estruturante e complementar em Pernambuco para receber as águas da Transposição. A primeira fase, já conveniada, corresponde a cinco lotes e a um investimento de R$ 1,4 bilhão, para atender 23 municípios. Juntando a primeira e segunda etapas, são 550Km.

A Compesa já concluiu 60% das obras, ou seja, já implantou 340Km. A conclusão depende da regularidade de liberação de recursos pelo governo federal - 90% dos investimentos na Adutora do Agreste cabem à União e 10% ao governo de Pernambuco. No total (primeira e segunda etapas) serão beneficiadas 68 sedes e 80 localidades do Agreste. Para atender as outras 45 cidades, ainda não há orçamento.

Por meio de obras emergenciais, com recurso do MI e Defesa Civil Nacional, deve executar, ainda, as adutoras de Poço da Cruz, para Arcoverde; de Campos, para Sertânia; de Moxotó, para Custódia; e do Alto Capibaribe, para Barra de São Miguel, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama, Jataúba, Taquaritinga do Norte, Vertentes, Vertente do Lério, Santa Maria do Cambucá e Frei Miguelinho. (MC)

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