Reportagem DOC

Arena Castelão: 5 anos de conquistas e contrastes

A beleza da Arena Castelão contrasta com percalços cotidianos (Foto: JL Rosa)
00:00 · 24.02.2018 / atualizado às 00:47 por Gustavo de Negreiros - Editor

De longe, do alto dos prédios ou dos bairros mais elevados, se vê ela. Imponente, a nave circular do Castelão impressiona pelo tamanho. Um marco no espaço aéreo da Capital. Por dentro, um lugar único, onde, por vezes, até milhares de pessoas se reuniram para vivenciar momentos marcantes no esporte ou na cultura.

É inegável a importância do Gigante da Boa Vista para o povo cearense. Se Roma tinha o seu Coliseu, o Ceará tem o Castelão. A analogia não é simplória. O Estádio Governador Plácido Castelo tem história, tem relevância. Por lá, já cruzaram o gramado não apenas craques de Ceará, Fortaleza, Ferroviário e Seleção Brasileira. O papa João Paulo II proferiu palavras de paz, presidentes discursaram e grandes astros da música mundial fizeram concertos inesquecíveis.

O Coliseu romano também teve fases, que acompanharam a história. Já teve cobertura, foi inundado, recebeu jogos sangrentos, foi destruído, reformado, se transformou em igreja até chegar ao formato que se conhece atualmente. Embora muito mais recente, o Castelão passou por fases, grandes reformas, que também acompanharam as tendências. Já foi totalmente aberto, com as saudosas gerais (espaços destinados ao público de baixa renda). Posteriormente ganhou cobertura, cadeiras. Por fim, em 2011, foi fechado pela última vez para a maior transformação: seria totalmente remodelado para ser inserido no conceito de arena e receber jogos da Copa do Mundo de 2014.

Dois anos de obras incansáveis e caras garantiram a entrega em 2013, numa partida conjunta entre Ceará X Bahia e Fortaleza X Sport. Uma tentativa de celebrar os novos tempos do moderníssimo estádio, que deveria abrigar uma nova mentalidade e o chamado 'legado' do mundial de futebol entre seleções.

Passados cinco anos, chega-se a hora de olhar para trás. E esta reportagem tem esse objetivo. A Arena atendeu os seus anseios? As linhas a seguir fazem esse balanço, também mostrando que esta fase do Castelão, que um dia será suplantada por outra, foi a mais agitada da história do Gigante da Boa Vista. Porém, esbarrou em problemas históricos e outros novos, que frearam a capacidade inovadora que uma arena 'padrão Fifa' poderia provocar no esporte e na cultura cearense.

Pontualmente marcante, com os grandes eventos e jogos que recebe, a Arena enfrenta os desafios do cotidiano, das partidas não tão glamourosas, dos times menores, dos confrontos de torcidas, das cadeiras quebradas. Some-se a isso as dificuldades claras, desde o primeiro jogo que o estádio recebeu, na área de estacionamento para o escoamento do público. Os preços de produtos e serviços também afastam o grande público. Para deixar o carro no estádio, o torcedor desembolsa R$ 15 e, dentro da Arena, paga caro para beber água e se alimentar. Em partidas menores, catracas são reduzidas, e os presentes, até mesmo os que têm mobilidade reduzida, têm de se deslocar vários metros para conseguir acesso.

O relacionamento com os maiores clubes locais (Ceará, Fortaleza e Ferroviário) também não é dos mais pacíficos. A PPP (Parceria Público-Privada) teve mudanças de empresas. Já houve acordos de exclusividade, posteriormente quebrados, mudanças de partidas em função de choque com shows. Uma relação polêmica para um espaço que deveria ser naturalmente a casa do povo.

Leia ainda:

> Dificuldades da parceria que está próxima de acabar
> Uma relação delicada entre a arena e os clubes da Capital
> Desafio para o público que frequenta a arena nos jogos

Reportagens

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.