Reportagem A força do Perdão

Aprender a perdoar

Irmã Socorro
00:00 · 15.04.2017

Mas quem pode dar o perdão? A vítima. Aquela que sofreu algum tipo de dano. Entretanto, para conceder o perdão, o caminho pode ser longo, árduo e doloroso, além de ser uma decisão de ordem pessoal. Ninguém pode perdoar pelo outro. É justamente para auxiliar as pessoas neste processo de dor e de traumas, que foi criada na Colômbia, em 2002, a Escola de Perdão e Reconciliação (Espere). No Brasil, a irmã Socorro Dantas é coordenadora nacional pela Região Nordeste.

Essa técnica se aplica na prevenção da violência e também na recuperação dos indivíduos que vivenciaram algum trauma. Tal proposta foi teoricamente sistematizada pelo colombiano Leonel Narváez Gomez, Doutor em Sociologia pela Universidade de Harvard, sob a orientação de uma equipe interdisciplinar do CHOP (Programa de Análise e Resolução de Conflitos Internacionais no Centre for International Politi Watherhead).

. DOC: A força do Perdão
. Uma vida, muitas setenças
."Milagre do Espírito Santo"
.Reconciliação em família
.Sentimento libertador

Mas como fazer esse processo do perdão? Irmã Socorro cita como exemplo os estudos da pesquisadora Olga Botcharova, que revelam uma experiência interessante: a primeira atitude é você não reprimir a dor que está sentindo, e depois deve procurar alguém ou um ambiente seguro onde possa falar da sua dor, do seu sentimento.

"Quanto mais você falar sobre o seu estado de espírito, seu estado emocional por uma situação de dor que você viveu, sem condenar alguém, mais facilidade terá de completar o processo de perdão. Isso é ciência, é pesquisa que a universidade faz”, completa irmã Socorro.

A assistente social Francimeire Rodrigues destaca a importância de trabalhar o perdão como forma de se libertar das amarras. Por experiência própria, diz ter sofrido muito pelo fato de não conseguir externalizar seus sentimentos. Hoje, encara a vida de outra forma: “Procuro me colocar no lugar do outro, não guardar rancor, pensar positivo e perdoar de coração, não importa o tipo da ofensa”, explica a assistente social que participou de recente capacitação promovida pela Espere.

A compreensão de Francimeire Rodrigues é reforçada pela irmã Socorro ao dizer que o perdão é tão benéfico ao ponto de ser comparado a uma assepsia da alma: “Quando ela faz essa assepsia, tudo aquilo que a ofendia já não a afeta mais”.

Cultura de paz

Num ato simples e comum na infância, como quebrar um copo, por exemplo, a irmã Socorro indaga: “Qual a primeira pergunta que fazemos? Quem quebrou o copo?”. Entretanto, a preocupação não deveria estar focada no autor, mas sim no bem-estar da pessoa, saber se ela se feriu ou se ela se machucou, enfim... nossa cultura é dar lição de moral.

Infelizmente, não vivenciamos a cultura do perdão, mas isso é uma questão milenar. Há mais de 2 mil anos, já acontecia com Jesus Cristo. Para exemplificar, irmã Socorro lembra o de caso de Madalena, acusada de um crime. Então, Jesus disse: “Quem nunca cometeu um crime. Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra". Todos ficaram em silêncio. Então, Jesus completou: "Se ninguém te condenou, eu também não te condeno. Mas eu te dou uma condição: Não peques mais”.

Fique por dentro

Caminho para fortalecer e aliviar a alma 

As Escolas de Perdão e Reconciliação (Espere) integram uma Rede Internacional que utiliza a pedagogia do Perdão como um direito humano. Seu método de resolução de conflitos passa pela aprendizagem da convivência humana, pela prática da solidariedade e da justiça e pelo processamento e gerenciamento das emoções (raiva, ódio e desejo de vingança).

Como parte da metodologia da Espere, está a criação de territórios de paz. Seja num bairro, numa rua, na escola, na família ou mesmo numa empresa onde as pessoas se reúnem com o facilitador que irá ajudá-las a recuperar a integridade, ou seja, a segurança de si, o sentido da vida e a ressocialização. As Esperes, por meio de seus serviços, pretendem ser um apoio especial a todos os que se dedicam à construção da paz, à prevenção e a mediação de conflitos.

Dessa forma, as Esperes se convertem em espaços sagrados, nos quais as pessoas recuperam e fortalecem o que há de mais valioso em sua humanidade: a ternura, a bondade, a compaixão - aquilo que as faz mais semelhante à Divindade.

Segundo a coordenadora nacional da Espere, irmã Socorro Dantas, a estrutura organizacional do método já atende a todas as regiões do País. Além do Brasil, a Espere está presente nos seguintes países: Venezuela, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador, República Dominicana, Panamá, Cuba, México, EUA, Canadá, Portugal e África do Sul.

Mais informações:
Escola de Perdão e Reconciliação (Espere)/Ceará
facebook.com/espereceara
Tel: (85) 98795.4167

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