Reportagem Identificando talentos

Ana Paula Lima: ponte para o protagonismo feminino

00:00 · 30.09.2017 / atualizado às 19:49 · 01.10.2017 por Textos: Cristina Pioner e Germana Cabral / Fotos: Cid Barbosa e Helene Santos

Identificar talentos nas comunidades, torná-los visíveis e valorizados. Essa tem sido a missão da socióloga Ana Paula Lima, a Paulinha, 36 anos, nascida, criada e enraizada na cidade de Icapuí, no Litoral Leste do Ceará. Desde os 17 anos, a jovem vivencia práticas comunitárias sustentáveis e participativas, mas é no protagonismo feminino que ela vem renovando suas crenças.

Com os pés no chão e a cabeça cheia de esperanças, atua como uma ponte entre as comunidades, o poder público, a iniciativa privada e demais instituições. "É nestes locais que vivem os grandes talentos, porém muitas vezes não os conhecemos. A cada descoberta é sempre uma alegria", destaca. Para identificar esses "potenciais", a socióloga costuma percorrer comunidades rurais e praianas do município, que conta com aproximadamente 20 mil habitantes.

No período da manhã, trabalha como assessora de relação com a comunidade pela Secretaria de Governo de Icapuí. Na parte da tarde, dá expediente na Fundação Brasil Cidadão, na qual atua como coordenadora local de projetos. Acompanha seis grupos produtivos com protagonismo de mulheres. Nesta dupla jornada, sobram entusiasmo e informação para fazer um bom trabalho.

A cada visita às comunidades, seja pela Fundação ou pela Prefeitura, Paulinha presta atenção em tudo, conversa com as pessoas, indaga, observa e tão logo já começa a articular novos projetos. Para concretizar qualquer possibilidade de transformação, não se intimida, arregaça as mangas e põe a mão na massa.

Muito além das vivências práticas, acumula outro diferencial: o conhecimento teórico em Ciências Sociais, área na qual é graduada e tem mestrado. Seu próximo passo é ingressar no doutorado, mas sem perder o foco da sua comunidade. "Tenho os pés fincados aqui, quero estudar mais e me aperfeiçoar para retribuir à minha cidade".

Com todo o conhecimento acadêmico e a dedicação na área burocrática, ambos essenciais neste processo de transformação, Paulinha diz se sentir plena quando está em contato com as pessoas. "Eu consegui ver aqui um leque de oportunidades, inclusive a formação de um grupo de trabalho com as rendeiras", revelou durante uma visita à Praia de Melancias. Segundo ela, é muito gratificante poder trabalhar com este sentimento de identidade e de pertencimento dentro das comunidades.

Na Fundação Brasil Cidadão para Educação, Cultura, Tecnologia e Meio Ambiente, fundada em 1996, Ana Paula Lima se dedica há sete anos. A proposta da instituição é promover o desenvolvimento local sustentável por meio de alianças com comunidades, empresas social e ambientalmente responsáveis, instituições governamentais e não governamentais.

Por meio da Prefeitura, Paulinha também atua com o propósito de aproximar as comunidades do poder público. Para isso, vem desempenhando um trabalho articulado com 36 comunidades, sendo 14 de praias. "Como cidadã, eu me sinto grata e realizada. Essas experiências me fazem acreditar de que é possível construir um país melhor e mais justo para todos", diz.

LEIA AINDA:

> Mulheres à beira-mar: trabalho, educação e cultura
> Maria Salete Sena Veras: pescadora dos mares
> Dona Joana Andrade: matriarca da cultura
> Praia do Batoque, Aquiraz: Oásis da dona Odete
> Raimunda da Silva: uma casa, muitos saberes
> Ana Lúcia Silva: banquete servido na praia
> Francisca Tavares dos Santos: a mestra das rendas

Reportagens

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.