Reportagem Amor e adoção

Amanda Teixeira: a melhor amiga dos cães

00:00 · 02.09.2017 / atualizado às 15:38

Ousar, fazer a diferença e enfrentar desafios. Desde setembro de 2015, Amanda Teixeira comanda um estúdio de fotografia para cães. A jovem inaugurou o Le Terrier Studio quando concluía o curso de Audiovisual e Multimédia na Escola Superior de Comunicação Social. Teve como inspiração o companheiro inseparável Boris, da raça Boston Terrier, o primeiro a ser fotografado ainda no espaço provisório de seu apartamento. "Ele é meu muso", brinca.

Com equipamentos de última geração, o estúdio funciona na cidade de Amadora, Região Metropolitana de Lisboa, próximo à residência de Amanda: "Juntei minha paixão pela fotografia e pelos animais.

No início, muita gente estranhou, inclusive na faculdade, alguns professores desejavam boa sorte e queriam saber do resultado. Gerou muita curiosidade e talvez uma dúvida. Por ser uma coisa nova. Foi arriscado, ainda hoje é".

O resultado não tardou por aparecer. Aos 24 anos, contabiliza cerca de 200 sessões com cães de diversas raças. Ganhou notoriedade em importantes revistas semanais de Portugal, participou de programas de variedades nas televisões SIC e RTP e foi entrevistada por alunos da antiga faculdade. Motivo de orgulho também é estar em reportagem na edição deste mês da Revista Cães & Cia, principal publicação especializada do País, da qual é assídua colaboradora com fotos.

Adoção de cães

Fala com orgulho de todo o trabalho, mas seus olhos brilham quando lembra da iniciativa de fotografar gratuitamente cães aptos à adoção. "Fazemos as imagens, colocamos eles na nossa página e fechamos parceria com associação e distribuidora de ração com o mesmo objetivo: ajudar os bichos sem a mesma sorte dos nossos clientes".

Desde o início do Le Terrier, a fotógrafa conta com o incentivo e determinação da mãe, a também cearense Fernanda Marques, que hoje administra o estúdio e é assistente de produção.Fernanda é casada com o português João Marques e, foi assim, que Amanda mudou-se para Portugal, em 2007, junto ao irmão mais novo, Elysio.

"Tinha em Fortaleza todos meus amigos e não é fácil fazer amigo desde sempre e com 15 anos é pior. Por isso, foi um pouco difícil nos primeiros anos até entrar realmente na escola e ver que havia pessoas que gostavam mais da mesma coisa que eu, e pronto, mas no primeiro e segundo ano foi difícil", diz Amanda, usando a expressão "pronto" tão usual entre os portugueses.

Sobre a mudança, avalia como muito positiva, pois foi acumulando experiências: "Talvez, se tivesse ficado em Fortaleza, teria seguido o mesmo caminho, mas os desafios que tive aqui me ajudaram a crescer mais em termos pessoais e profissionais". O aperfeiçoamento começou quando conseguiu ingressar na disputada Escola Secundária Artística António Arroio, de Lisboa, especializada em artes, na qual cursou o ensino médio.

Dedicada 100% ao estúdio, aproveita as horas de folga para curtir o que Lisboa tem a oferecer nas áreas de lazer e cultura em companhia do noivo português, Rui Brás, e, claro, do Boris. Os lugares prediletos são os parques, sobretudo o Monsanto.

Amanda está de casamento marcado com Rui para 2018. Planos de morar em Fortaleza, ela não tem, embora sempre que possível volta à cidade onde nasceu. "Penso em até passar uma temporada lá, e quem sabe alugar um estúdio e produzir algumas sessões". Também matar a saudade do que mais sente falta: "Adoro a comida, farofa, doce, salgado, a água de coco, tudo é muito bom".

Amanda é bisneta de português, mas optou conquistar a nacionalidade após ter residido seis anos no País legalmente. Tem dois passaportes (brasileiro e português). Nos primeiros anos, visitava Fortaleza nas férias escolares: "Mas com o passar do tempo, as raízes aqui foram ficando mais fortes, com os amigos, os planos que se faziam por aqui e passei a ir menos". Antes, ao retornar para Lisboa de temporadas no Ceará, Amanda se sentia sem um lugar para chamar de seu: "Em Portugal, era brasileira, e no Brasil, portuguesa. Hoje sinto que, na realidade, tenho dois lugares para chamar de "casa".

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