Reportagem Paralisia cerebral

A esperança nas mãos

00:00 · 17.06.2017 / atualizado às 01:06

Submeter uma criança a qualquer tipo de tratamento de saúde é sempre desafiante. Mas com o desenvolvimento de uma ferramenta, na qual são utilizados recursos da tecnologia aliados à ludicidade, é possível oferecer tratamento alternativo e complementar às crianças com paralisia cerebral.

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O "Rehab Fun", como é denominado o jogo, virou atração e esperança para os pacientes, familiares e pesquisadores. Com esse recurso, a reabilitação motora e cognitiva é estimulada quando o paciente é submetido a desafios propostos pelo jogo, dividido em cinco fases.

A ferramenta ressalta a diferenciação de cores e formatos de objetos, números, letras e animais, tudo feito com o movimento das mãos, interpretados por meio do LeapMotion.

"Esse sensor é capaz de captar movimentos dos 10 dedos das mãos, permitindo que o usuário realize as tarefas para as quais é submetido", explica o professor e pesquisador, Victor Hugo Costa de Albuquerque, do Programa de Pós-Graduação em Informática Aplicada da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Concentração

Além disso, um sensor de ondas cerebrais, o Mindwave, também é utilizado para mensurar o nível de concentração da criança durante interação com o jogo. "O objetivo é melhorar a qualidade de vida destes pacientes e pais, bem como acelerar o processo de reabilitação por meio de atividades em ambiente virtual divertido", frisa o professor.

Victor atua no projeto em parceria com a ex-aluna do curso de mestrado em Informática Aplicada, hoje doutoranda no mesmo programa, Juliana Martins de Oliveira. Também são parceiros do projeto de pesquisa profissionais do Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami), pertencente à Unifor.

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Pesquisadores Juliana Oliveira e Victor Hugo Albuquerque (à esquerda) desenvolveram jogo baseado em realidade virtual para auxiliar crianças no tratamento de paralisia cerebral. 

Os pesquisadores realizaram o trabalho com crianças entre 4 a 8 anos, uma vez que a recuperação do sistema nervoso afetado pode ser mais rápida nessa faixa etária. Entretanto, o sistema permite ser utilizado por qualquer pessoa, independentemente de sua idade. Segundo análise de especialistas do Núcleo de Terapia Ocupacional do Nami, o método utilizando o ambiente virtual é viável como ferramenta auxiliar para o tratamento da doença.

Disciplina

A reabilitação cognitiva e motora exige muita disciplina e estímulos para que os envolvidos não sejam desmotivados. Entretanto, com os avanços aplicados ao Rehab Fun, espera-se reduzir o desinteresse dos pacientes e familiares pelo tratamento. Em breve, o jogo será disponibilizado gratuitamente para ser utilizado por profissionais e demais interessados.

Segundo o professor Victor Albuquerque, a maior recompensa deste trabalho está relacionada à satisfação das crianças e motivação dos pais na utilização do sistema desenvolvido. Segundo o pesquisador, os pais se sentem realizados quando veem o interesse da criança em brincar, quando, na verdade, estão fazendo um tratamento.

Outra tecnologia aplicada pelo grupo de pesquisa da Universidade de Fortaleza é a utilização do LegoMindstorms. O brinquedo comercial produzido pela Lego, voltado para a educação tecnológica e usado com sucesso em diversos meios pedagógicos, agora está sendo adotado e avaliado junto às crianças com paralisia cerebral no laboratório da universidade.

Também focada na reabilitação motora e cognitiva destas crianças, a pesquisa é desenvolvida pelo aluno de mestrado em Informática Aplicada, Alex Aguiar Lins, orientado pelo professor Victor.

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Abaixo, o aluno Alex Lins, que utiliza o Legomindstorms como ferramenta

Em paralelo a esses dois projetos destinados ao público infantil, outras pesquisas são desenvolvidas na Unifor sob a coordenação do professor Victor Hugo Albuquerque. Dentre elas, estão: a redução de estigmas relacionados à esquizofrenia, usando a Realidade Aumentada; automação residencial para pacientes com dificuldades motoras dos membros superiores utilizando o sistema baseado na interface cérebro-máquina; pré-diagnóstico de Parkinson por meio de sensores vestíveis e avaliação automática da amplitude de movimentos.

Parcerias

Para realizar as pesquisas, a Unifor mantém parcerias com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, por meio do Instituto do Cérebro, na qual são desenvolvidas pesquisas voltadas para o estudo comportamental de animais não humanos (saguis e ratos); com a Kaunas University of Technology (Lituânia), Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e a Universidade da Beira Interior (Portugal), entre outras.

Avanços reconhecidos

Diante dos resultados positivos, em 2016 o projeto "Rehab Fun" teve divulgação internacional por meio da publicação no periódico "Computational Intelligence and Neuroscience".

A pesquisa também recebeu menção honrosa na categoria "Inovação e Game Design", no XV Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital (SBGames), evento promovido pela Sociedade Brasileira de Computação, no Workshop de Teses e Dissertações. (CP)

Com o jogo "Rehab Fun", desenvolvido na Unifor, estimula-se a reabilitação motora e cognitiva quando a criança é submetida a desafios propostos pela ferramenta lúdica

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