Violência na Praia do Futuro assusta visitantes - Cidade - Diário do Nordeste

Insegurança

Violência na Praia do Futuro assusta visitantes

29.11.2013

Assassinato de vigilante em tentativa de assalto reacende discussões sobre a criminalidade no ponto turístico

Um novo caso de violência registrado na região da Praia do Futuro, em Fortaleza, serviu de estopim para levantar, mais uma vez, as discussões a respeito da insegurança no local. Na noite da última quarta-feira, o vigilante de uma das barracas foi esfaqueado durante tentativa de assalto à loja de conveniência do estabelecimento e não resistiu aos ferimentos. As quatro pessoas envolvidas no assassinato já foram detidas pela Polícia Militar, mas o episódio agora integra a extensa lista de relatos de frequentadores e comerciantes sobre a criminalidade na área.

Frequentadores temem a ação de bandidos, o que tem forte impacto no comércio da área. Estabelecimentos já sentem redução de vendas Foto: Natinho Rodrigues

Embora o movimento no local continue grande, principalmente nos meses de alta estação, as pessoas que há alguns anos costumavam ir à praia com tranquilidade, agora precisam encarar o medo de se tornarem vítimas de furtos, roubos a mão armada e agressões físicas em pleno calçadão ou até enquanto caminham na beira do mar. Em paralelo, o policiamento no espaço, considerado insuficiente pelo público, não consegue dar conta das ações dos infratores.

A farmacêutica Ana Costa conta que, há alguns anos, um amigo sofreu sequestro relâmpago na saída de uma barraca da Praia do Futuro. Depois do susto, ela passou cerca de cinco anos sem ir ao local e agora, quando o faz, toma precauções para evitar ser alvo de criminosos. "Fico em barracas mais movimentadas e venho sem nada. Trago só o dinheiro e um celular de baixo valor".

Mas a insegurança não fica apenas nas proximidades das barracas. O estudante Augusto de Paula afirma que as vias de acesso ao local também são vulneráveis e só recebem reforço nas épocas de férias. "Moro no Cocó e, no caminho para cá, não vi nenhuma viatura com policiais", atesta.

O clima perigoso na área e a preocupação do público visitante têm forte impacto no comércio da área. Milton Ramos, proprietário da barraca Itapariká, afirma que nas quintas à noite, horário em que vários estabelecimentos oferecem caranguejadas, as vendas já demonstram queda de aproximadamente 35%. Segundo ele, os clientes estão em estado de pânico.

O empresário ressalta que o patrulhamento na região não está apresentando resultados. Ramos alega que, logo após a formatura de mais de mil policiais militares cearenses no dia 1º deste mês, a segurança na Praia foi intensificada, com a presença de duplas de profissionais ao longo da orla. No entanto, alguns dias depois, o efetivo começou a ser reduzido novamente.

"A cada 200m, 300m, havia policial. Agora, está do mesmo jeito que era antes. Algumas barracas de maior porte contrataram seguranças particulares, mas, a rigor, a função de promover segurança pública é do Estado. Esse aspecto tem que ser visto com mais seriedade, porque a Praia do Futuro é o portão do entrada do turismo", critica.

Policiamento

O comandante do Batalhão de Policiamento de Turismo (BPTur), major Clairton Abreu, afirma que o patrulhamento na região ocorre regularmente e argumenta que não houve redução no efetivo. Segundo ele, não é possível colocar policiais na frente de todas barracas, mas o monitoramento continua sendo feito por três viaturas, quatro motocicletas e nove duplas de policiais a pé durante os três turnos e com mais ênfase nos fins de semana.

Sobre as ocorrências de violência, assaltos e outros delitos, Abreu alega que, por mais que se monitore a área, os criminosos sempre irão procurar momentos oportunos. "A região é bem policiada, mas os assaltantes esperam a oportunidade, o lugar e os horários de mais facilidade para cometer o crime", diz.

VANESSA MADEIRA
REPÓRTER


Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999