Prevenção de acidentes

Velocidade na Av. Osório de Paiva será reduzida para 50 km/h

A medida será apenas educativa nos primeiros seis meses, ou seja, não haverá autuações por excesso de velocidade

Além da redução da velocidade, segundo a AMC, a Avenida Osório de Paiva terá renovação da faixa exclusiva de ônibus, readequação de retornos, onde ocorrem muitos acidentes, segundo a Prefeitura de Fortaleza ( Fotos: Kléber A. Gonçalves )
01:00 · 02.06.2018 / atualizado às 11:16 por Nícolas Paulino - Repórter
A Avenida é considerada a via urbana municipal com maior registro de acidentes fatais da cidade, tendo acumulado 129 mortes em sua extensão, nos últimos dez anos, segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC)

Com grande fluxo de carros de passeio, motocicletas e caminhões, a avenida Osório de Paiva se tornou alvo de intervenções de trânsito desde a última quarta (30), para garantir um deslocamento mais seguro para quem a utiliza. A principal mudança, conforme a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), é que a via terá redução da velocidade máxima permitida, dos atuais 60 km/h para 50 km/h. Segundo o órgão de trânsito, a medida será apenas educativa nos primeiros seis meses, ou seja, não haverá autuações por excesso de velocidade. Contudo, ainda não há previsão para o início dessa operação.

A avenida é considerada a via urbana municipal com maior registro de acidentes fatais da cidade, tendo acumulado 129 mortes em sua extensão, nos últimos dez anos, segundo a AMC. Em proporção, a estatística significa mais de uma morte por mês. O levantamento mostrou ainda que mais de 50% das vítimas eram pedestres e ciclistas, os usuários de maior vulnerabilidade no trânsito.

"A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que, em vias urbanas, haja essa readequação da velocidade para aumentar a probabilidade de sobrevivência das vítimas em até 30%", aponta Juliana Coelho, gerente da Central de Monitoramento do Controle de Tráfego de Fortaleza (CTAFOR). Segundo Juliana, a prefeitura de Fortaleza planeja as ações de segurança viária com um ranking das ruas e avenidas mais perigosas da cidade, mas não detalhou se outros espaços também passarão a ter redução.

A mudança na Osório de Paiva segue o padrão da avenida Presidente Castelo Branco, a Leste-Oeste, onde a redução para 50 km/h foi aplicada em fevereiro deste ano. Por lá, na última década, 106 pessoas perderam a vida. Desde a implantação do projeto-piloto até o mês de maio, segundo a AMC, o número de chamados dos serviços de emergência do órgão caiu 44,7%, em comparação com a média dos registros nos últimos três anos. Entretanto, não detalhou números absolutos.

Antes da Leste-Oeste, avenidas como a Monsenhor Tabosa e a Beira-Mar e um trecho da Engenheiro Santana Júnior tiveram redução de velocidade para 40km/h. Segundo o professor do departamento de engenharia de transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Flávio Cunto, a tendência de diminuição na velocidade das vias de Fortaleza pode ser "vanguarda no brasil". Ele lembra que São Paulo já realizou reduções nas marginais, mas as decisões foram revistas e revertidas no início de 2017. Por sua vez, o Rio de Janeiro estuda alterações que ainda não saíram do papel.

Para o especialista, a relação entre a velocidade dos veículos e a segurança dos usuários é bem clara. "O ambiente urbano é muito complexo, com diversos usuários possíveis, sejam eles motorizados ou não. Quando se fala em velocidade, o que pode ser lento para o carro, que tem mais conforto e auxílio de aparatos como o airbag, para o ciclista ou pedestre, não é", destaca o especialista, afirmando que, num atropelamento a 60km/h, a chance de a vítima sair viva varia de apenas 10% a 15%.

Atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece como parâmetros de velocidade 60 km/h para vias arteriais (como as avenidas Treze de Maio e Duque de Caxias), 40 km/h para coletoras, que dão acesso às arteriais, e 30 km/h para vias locais, as menores e não semaforizadas. No entanto, a legislação brasileira torna a alteração dos limites algo facultativo para cada órgão de trânsito.

Reclamações

"É sem futuro, esse negócio. Via de 50 km/h não tem muito sentido porque, aqui, a correria é grande", opina um mototaxista que tem ponto em frente ao terminal do Siqueira. Ele não quis se identificar. "A maioria dos acidentes acontece por imprudência. O pedestre é muito desatento, e o motorista dirige com muita velocidade. A mudança que teve na Bezerra de Menezes, por exemplo, não melhorou em nada", analisa o condutor.

Já para a estudante Marina Ribeiro, que pega ônibus para Maranguape na avenida, a mudança será benéfica principalmente para quem anda a pé. "A gente tem muita dificuldade numa ação tão simples, que é atravessar de um lado para o outro. Eu, particularmente, fico com medo de alguns motoristas", desabafa. "Mas o pedestre também tem que ajudar e andar na faixa", emenda.

Alterações

Além da redução da velocidade, segundo a AMC, a av. Osório de Paiva terá renovação da faixa exclusiva de ônibus, readequação de retornos (onde ocorrem muitos acidentes, segundo Juliana Coelho), rampas de acessibilidade em algumas calçadas e a implantação de novos semáforos. As intervenções seguirão, primeiro, no perímetro municipal que vai da rua Gomes Brasil até a av. Presidente Costa e Silva, a Perimetral.

A AMC informa ainda que começou a funcionar um novo semáforo para pedestres em frente ao terminal do Siqueira. Além disso outros equipamentos da região serão contemplados com tempo para pedestres.

Também está em execução uma ciclofaixa junto ao canteiro central da avenida, no trecho compreendido entre a rua Arruda Câmara e avenida Luiz Vieira, que depois será interligada à ciclovia já existente.

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