imunização

Vacina é opção para combate ao quadro epidêmico de dengue

O Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a adotar a vacina, adquirindo inicialmente 500 mil doses

Segundo o Centro Estadual de Epidemiologia do Paraná, o resultado que se pode adiantar até aqui é que se trata de uma vacina muito boa ( Foto: Nah Jereissati )
01:00 · 13.09.2017

A dengue no Ceará continua chamando atenção pela alta incidência e o registro de mortes. Foram, somente este ano, 20.884 casos confirmados e, destes, 12 pessoas vieram a óbito, de acordo com dados do último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O cenário gera o alerta constante e a necessidade de medidas preventivas e de combate ao agente transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Uma das estratégias de reversão do quadro epidêmico pode estar na disponibilidade de uma vacina contra a doença, a exemplo da que já é fabricada pelo laboratório Sanofi Pasteur, capaz de proteger contra os quatro sorotipos da doença.

Após 20 anos de testes, a Dengvaxia foi a primeira vacina contra a dengue a ter a comercialização autorizada no País, há pouco mais de um ano. O Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a adotar a estratégia, adquirindo inicialmente 500 mil doses da vacina e distribuindo em 30 municípios. A estratégia adotada por lá, segundo explicou o chefe do Centro Estadual de Epidemiologia, João Luis Crivellador, foi atender às localidades que tiveram três ou mais epidemias nos últimos cinco anos.

Em 28 delas, onde a incidência passou dos 500 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, como acrescenta, a faixa etária incluída na campanha vacinal foi de 15 a 27 anos. "É uma faixa etária que geralmente não busca a unidade de saúde, então buscamos alternativas diferenciadas, colocando a vacinação em supermercados, shoppings, academias, colégios e universidades", comentou. Já nos dois municípios onde a incidência ultrapassou 8 mil casos para 100 mil habitantes - Paranaguá e Assai - o público alvo determinado foi de 9 a 44 anos.

Muito boa

Os resultados, ainda segundo João Luis Crivellador, serão definidos por meio de estudo após o fim da campanha vacinal. A 3ª e última fase terão início no dia 20 de setembro e segue até o dia 27 de outubro. Neste período, 99 mil pessoas devem ser vacinadas. Na 1ª etapa, 200 mil pessoas foram imunizadas e na 2ª mais de 153 mil. "O resultado que podemos adiantar é que se trata de uma vacina muito boa. Tivemos pouquíssimos eventos adversos, o que mostra que é uma vacinação segura", afirma.

Pioneira no mundo, segundo destaca a diretora médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani, a vacina tem como público-alvo pessoas na faixa etária de 9 a 45 anos de idade, tendo eficácia de 66%, agindo com 93% de eficiência nos casos graves da doença e prevenindo em até 81% o número de internamentos. A aplicação é subcutânea e deve ser administrada em três doses, com intervalo de seis meses entre elas, não havendo registro de efeitos colaterais. "Os pacientes tiveram sintomas leves mas nenhum relacionado à vacina. Cerca de 400 mil pessoas foram imunizadas no Paraná e não tivemos incidentes", reforça.

Campanhas

Dentro do contexto da imunização, Sheila Homsani destaca a importância de os governos aderirem a campanhas de conscientização. Na avaliação da médica, este seria o momento ideal de uma iniciativa como essa, enquanto o sorotipo 2 da doença não está tão presente. "Geralmente, o sorotipo 2, depois de uma grande circulação do tipo 1, pode trazer muita gravidade. Como a vacina é em três doses, se tivermos campanhas agora, essa proteção é antecipada, ou seja, quando o sorotipo 2 começar a circular com mais vontade, a população já estará protegida contra a gravidade que a gente espera", esclarece.

Os testes da vacina no Brasil envolveram 3,5 mil voluntários, entre eles, 599 cearenses. A imunização se dá por meio de um vírus atenuado e que, cultivado em condições adversas, perde a capacidade de provocar a doença. O método é realizado com a mesma estrutura do vírus que imuniza contra a febre amarela. Na rede particular, a vacina já pode ser adquirida pelo preço de R$ 136,00, cada dose.

Este ano, a incidência da dengue já acometeu 155 municípios do Ceará (84,6%), segundo o último boletim emitido pela Secretaria da Saúde do Estado. Os casos confirmados estão distribuídos em todas as faixas etárias, mas mostram uma concentração maior (63,5%) entre as pessoas de 15 a 49 anos de idade, e mais da metade das confirmações (56,2%) atingiu o sexo feminino. Entre os casos mais preocupantes, o Estado confirmou 86 de dengue com sinais de alarme (DCSA) em 2017 e 17 casos de dengue grave (DG).

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