INCÊNDIO NO CTCE

Unidade dos Correios apresentava problemas estruturais

Segundo o Sindicato, três dias antes do sinistro, um ofício foi entregue informando os problemas do prédio

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios, Telégrafos e Similares do Estado do Ceará (Sintect-CE), o prédio estava com estrutura prejudicada. Três dias antes do incêndio, um ofício teria sido enviado à direção ( Foto: Natinho Rodrigues )
01:00 · 15.02.2018

O Centro de Triagem de Cartas e Encomendas dos Correios (CTCE Fortaleza), onde ocorreu um incêndio na tarde da última terça-feira (13), estava com uma série de problemas estruturais, segundo um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Correios, Telégrafos e Similares do Estado do Ceará (Sintect-CE), Avelino Rocha. De acordo com ele, desde 2015, 17 protocolos foram abertos devido à denúncias de trabalhadores do local com relação à falta de condições para trabalho, problemas estruturais e assédio moral.

Atualmente, o CTCE recebe cartas e encomendas do Ceará, Piauí e Maranhão. O diretor destaca que ainda não há como calcular o prejuízo, tampouco saber o que pode ter ocasionado o incêndio. "O vigia que estava lá disse que ouviu varias explosões, não sabemos se foi criminoso, mas a possibilidade maior seria a questão da rede elétrica, que já havia sido constatada pelos próprios trabalhadores. Porém, só a pericia poderá dizer o motivo real do acidente", explica Avelino.

Três dias antes do acidente, um ofício foi protocolado para informar sobre a infraestrutura do prédio, que estava com fiações elétricas expostas, cadeiras rasgadas e quebradas, extintores de incêndio fora da validade e plataforma de descarga sem funcionamento. Além disso, o CTCE não é climatizado, sendo um local extremamente quente. "É preciso toda uma estrutura para climatizar, a rede elétrica não suportaria, então tinha que fazer uma reforma. Eles disseram que ainda estavam esperando a resposta da licitação já feita. Contudo, essa questão da climatização tem cinco anos. Os próprios trabalhadores levavam ventiladores", revela Avelino.

A plataforma de descarga representava outro risco para os funcionários, segundo o sindicalista. Por não estar funcionando, os trabalhadores apoiavam ela com palets de madeira, "podendo despencar a qualquer momento e o trabalhador cair com a carga em cima dele", destaca Avelino Rocha.

Transferência

Após o incêndio, 200 operadores de triagem e transbordo foram direcionados para outras unidades. Uma delas é o CLI, no Eusébio, mas, de acordo com Avelino Rocha, o local não oferece condições para os trabalhadores operarem. Além do calor, o local dispõe de muita poeira e tem apenas um banheiro.

Outras agências também representam riscos aos trabalhadores, na opinião do Sindicato. Na filial do Centro, a área está embargada e todo o setor administrativo saiu devido ao risco de desabamento, mas os trabalhadores dos correios continuam operando no local.

Na filial do Castelão, segundo o Sintect-CE, há queda de energia constante e os funcionários sofrem choques ao tocar em certos pontos. Apesar dos Correios declararem já ter trocado o disjuntor, os choques continuam ocorrendo.

Já na agência do bairro José Walter, a laje do piso superior cedeu 10cm, segundo Avelino Rocha, que afirma ter uma reforma acontecendo. "Eles estão colocando uma viga de ferro e parafusando nas colunas que já existem. Como isso vai segurar o peso de uma laje?", questiona o diretor do Sintect-CE.

A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa dos Correios, mas até o fechamento desta matéria as ligações não foram atendidas.

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